4 de novembro de 2014

Reflexões sobre o cristão e a política

“Quem aceita o mal sem protestar, coopera realmente com ele”. Martin Luther King

O País está dividido entre azul, vermelho e outras cores mais. É um período histórico. Seguramente vivemos o momento mais enigmático da história política do Brasil desde 1988. Duas propostas diferentes foram contempladas nas candidaturas para Presidente. Uma representada pelo continuísmo do governo petista e a outra pelo retorno da hegemonia peessedebista. Enquanto escrevo este texto, manifestações ocorrem em várias partes do país. Prometem aumentar, sobretudo, no dia 15 de novembro – data da Proclamação da República.
A atual conjuntura do país é esta: insatisfação coletiva, violência atingiu níveis insuportáveis, o país dividido em grupos, castas e minorias, a economia ameaçada pela baixa produtividade e inflação, caos na Petrobras, promessas não cumpridas, desmoralização da polícia militar, associação do Itamaraty a países socialistas e o caos da corrupção que corrói várias instâncias do poder público. Meu objetivo neste texto é provocar uma reflexão sobre qual o papel do cristão em meio a essas circunstâncias. O que fazer neste momento? Qual a nossa conduta diante do caos social que vivemos? Elenco algumas sugestões comportamentais para a Igreja de Jesus Cristo, que representa o melhor de todos os governos – o Reino de Deus.
O apóstolo Paulo afirma: “Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças, em favor de todas as pessoas; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade.” I Tm 2.1-2.
A Bíblia não afirma que devemos concordar com a forma de governo vigente, mas que devemos orar pelos governantes. Paulo não endossava as atrocidades cometidas pelo terrível imperador Nero. Entretanto, ele insta a igreja a orar pelos governantes, pois acreditava que a autoridade constituída é o braço disciplinador de Deus na história (Rm 13:1-8). Como a famosa frase atribuída a Martinho Lutero: “Até o diabo é diabo de Deus”. É importante sabermos, antes de tudo, que Deus reina soberanamente sobre todos os reinos do mundo (Sl 99:1); "remove reis e estabelece reis" (Daniel 2:21). Seja Faraó ou Davi, Adolf Hitler ou Dilma, toda autoridade é constituída pela vontade permissiva de Deus na história humana. Deus reina!
A oração pelos governantes. Paulo ainda diz: “Interceder pelos governantes é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todas as pessoas sejam salvas e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” I Tm 2.3-4.
A oração é a melhor militância da Igreja. Porém, a oração aqui não é de aprovação àquele ou a este governo. É para que Deus traga arrependimento e dê um novo coração aos governantes. O desejo de Deus é que as pessoas sejam salvas. Com isso, Paulo não quer dizer que não devamos nos opor à injustiça, corrupção, deslizes e abusos dos governantes. É preciso ter uma fé efervescida por coragem, ânimo e sensatez. O pastor Martin Luther King Jr foi um exemplo disso: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”, asseverou.
Nossa posição é sobreposicional. Portanto, nossa posição não é de oposição, tampouco de neutralidade. A posição da Igreja é de sobreposição. Por que? Ora, os valores que cultivamos e pregamos são incomparáveis a qualquer modelo político. Somos embaixadores do Reino de Deus. O nosso Rei, representado pela Igreja – não a igreja politizada - governa todos os detalhes da história mundial. Os valores supraculturais do Evangelho são mais altaneiros do que qualquer ideologia política. Com isso não quero dizer que não devamos exercer militância política.

A nossa militância pela fé do Evangelho deve sobrepujar qualquer preferência ideológica. Não somos vermelhos ou azuis, o povo de Deus “veste branco” (Ec 9:8) - espero não ser acusado de racismo por isso (risos)! Dentro de sua preferência partidária, portanto, não seja neutro, vista-se da limpidez, a cor alva e enigmática da santidade dos filhos de Deus. A luta continua pela instauração do Reino de Deus; o Reino já chegou, está dentro de nós e não pode ser engessado num Partido. Paradoxalmente, o Reino começou; mas ainda não está consolidado definitivamente. Isso será no retorno cósmico do Rei dos reis e Senhor dos senhores. Até lá, como Igreja de Jesus Cristo, militemos pela fé do Evangelho, exerçamos o espírito profético denunciando o pecado dos governos e anunciando a salvação a toda gente. Que seja assim!