4 de novembro de 2014

Reflexões sobre o cristão e a política

“Quem aceita o mal sem protestar, coopera realmente com ele”. Martin Luther King

O País está dividido entre azul, vermelho e outras cores mais. É um período histórico. Seguramente vivemos o momento mais enigmático da história política do Brasil desde 1988. Duas propostas diferentes foram contempladas nas candidaturas para Presidente. Uma representada pelo continuísmo do governo petista e a outra pelo retorno da hegemonia peessedebista. Enquanto escrevo este texto, manifestações ocorrem em várias partes do país. Prometem aumentar, sobretudo, no dia 15 de novembro – data da Proclamação da República.
A atual conjuntura do país é esta: insatisfação coletiva, violência atingiu níveis insuportáveis, o país dividido em grupos, castas e minorias, a economia ameaçada pela baixa produtividade e inflação, caos na Petrobras, promessas não cumpridas, desmoralização da polícia militar, associação do Itamaraty a países socialistas e o caos da corrupção que corrói várias instâncias do poder público. Meu objetivo neste texto é provocar uma reflexão sobre qual o papel do cristão em meio a essas circunstâncias. O que fazer neste momento? Qual a nossa conduta diante do caos social que vivemos? Elenco algumas sugestões comportamentais para a Igreja de Jesus Cristo, que representa o melhor de todos os governos – o Reino de Deus.
O apóstolo Paulo afirma: “Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças, em favor de todas as pessoas; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade.” I Tm 2.1-2.
A Bíblia não afirma que devemos concordar com a forma de governo vigente, mas que devemos orar pelos governantes. Paulo não endossava as atrocidades cometidas pelo terrível imperador Nero. Entretanto, ele insta a igreja a orar pelos governantes, pois acreditava que a autoridade constituída é o braço disciplinador de Deus na história (Rm 13:1-8). Como a famosa frase atribuída a Martinho Lutero: “Até o diabo é diabo de Deus”. É importante sabermos, antes de tudo, que Deus reina soberanamente sobre todos os reinos do mundo (Sl 99:1); "remove reis e estabelece reis" (Daniel 2:21). Seja Faraó ou Davi, Adolf Hitler ou Dilma, toda autoridade é constituída pela vontade permissiva de Deus na história humana. Deus reina!
A oração pelos governantes. Paulo ainda diz: “Interceder pelos governantes é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todas as pessoas sejam salvas e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” I Tm 2.3-4.
A oração é a melhor militância da Igreja. Porém, a oração aqui não é de aprovação àquele ou a este governo. É para que Deus traga arrependimento e dê um novo coração aos governantes. O desejo de Deus é que as pessoas sejam salvas. Com isso, Paulo não quer dizer que não devamos nos opor à injustiça, corrupção, deslizes e abusos dos governantes. É preciso ter uma fé efervescida por coragem, ânimo e sensatez. O pastor Martin Luther King Jr foi um exemplo disso: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”, asseverou.
Nossa posição é sobreposicional. Portanto, nossa posição não é de oposição, tampouco de neutralidade. A posição da Igreja é de sobreposição. Por que? Ora, os valores que cultivamos e pregamos são incomparáveis a qualquer modelo político. Somos embaixadores do Reino de Deus. O nosso Rei, representado pela Igreja – não a igreja politizada - governa todos os detalhes da história mundial. Os valores supraculturais do Evangelho são mais altaneiros do que qualquer ideologia política. Com isso não quero dizer que não devamos exercer militância política.

A nossa militância pela fé do Evangelho deve sobrepujar qualquer preferência ideológica. Não somos vermelhos ou azuis, o povo de Deus “veste branco” (Ec 9:8) - espero não ser acusado de racismo por isso (risos)! Dentro de sua preferência partidária, portanto, não seja neutro, vista-se da limpidez, a cor alva e enigmática da santidade dos filhos de Deus. A luta continua pela instauração do Reino de Deus; o Reino já chegou, está dentro de nós e não pode ser engessado num Partido. Paradoxalmente, o Reino começou; mas ainda não está consolidado definitivamente. Isso será no retorno cósmico do Rei dos reis e Senhor dos senhores. Até lá, como Igreja de Jesus Cristo, militemos pela fé do Evangelho, exerçamos o espírito profético denunciando o pecado dos governos e anunciando a salvação a toda gente. Que seja assim!

11 de setembro de 2014

PASTOR PRECISA DE PASTOR

Pr Agnaldo Alonso Ferreira Freitas - Suicidou-se recentemente.
São muitos colegas de ministério em solidão, depressão e crises emocionais. O ministério é solitário, mas não precisa ser assim. Muitas vezes, o pastor vive sozinho no meio da multidão. Amado por suas habilidades e não por quem ele é, quando não oferece o RESULTADO esperado, o ser humano que existe no pastor se desespera. As pressões são constantes e o estigma da perfeição é um fardo insuportável para qualquer ser humano. Creio ser importante para todo pastor:

1- Desfrutar alegremente de comunhão íntima com Jesus Cristo, diariamente. Tempo de qualidade para oração e leitura bíblica.2- Dedicar-se a família. Receber e oferecer carinho com aqueles que vivem conosco é fundamental.
3- Dizer "NÃO" para muitas atividades que não levariam a igreja a lugar algum. O ativismo religioso causa doença.
4- Entender que o pastor nunca dará conta das demandas existentes. Como diz Charles Swindow "A demanda será sempre maior que sua capacidade de atender".
5- Cuidar da saúde: alimentação e exercício físico. Valorizar as coisas simples da vida faz bem à saúde emocional.
6- Ler e ouvir pastores mais experientes. Aprender com os erros dos outros encurta o trajeto para a maturidade.
7- Ter um discipulador para exortá-lo/restaurá-lo e companheiros de lutas para compartilhar as crises. Ter pessoas a nossa volta que enxerguem nossas circunstâncias a partir de uma percepção diferente nos ajuda a ter foco.

Fiquei triste por esta notícia. Oremos pela família enlutada.
http://www.calilanoticias.com/2014/09/pastor-evangelico-e-encontrado-morto-em-serrinha-suspeita-e-de-suicidio.html

3 de julho de 2014

AO PASTOR QUE EXISTE EM MIM

Meu aniversário chegou (03/07) e parei para refletir sobre prioridades, princípios e propósitos. Não quero que me dê os parabéns, apenas... que leia o que vem a seguir. Este texto foi escrito por mim e para mim. Garimpe, caso sirva, alguns valores que compartilho. Ao refletir e fazer anotações pessoais sobre a próxima década, resolvi compartilhar algumas ideias que podem ser úteis.
 
Grave seu nome em corações, não em paredes. Sua principal prerrogativa é cuidar de gente. A arte de liderar, ou seja, influenciar pessoas, tem haver com relacionamentos. Entretanto, você será odiado por alguns - isso não é ruim - e querido por muitos. Karl Barth dizia que "o falso profeta é aquele que agrada todo mundo". Não há problemas nisso quando somos aprovados por Deus pelo que somos no secreto á despeito do que parecemos em público. Um líder carismático pode arrebatar multidões, mas não encontrará lugar em corações sinceros se não tiver caráter idôneo. Caráter precede o carisma. Os dois são bons, mas aquele é fundamental. O que somos no escuro é mais importante. A maneira como tratamos a família é o melhor sermão. Portanto, não fique preocupado em agradar a "gregos e troianos". A opinião de Deus é fundamental para o ministério, a dos homens é apenas importante. O que Deus pensa a respeito do seu ministério? Você tem sido aprovado na terra e rejeitado no céu? Tem agido como despenseiro de Deus (1Co 4.1,2)? Você prega a Palavra ou é um papagaio? Você expõe as Escrituras ou apenas ecoa clichês e jargões pragmáticos? Está realmente preocupado em ser arauto do Evangelho da cruz ou um orador motivacional? Acredite, aprendi com pastores mais experientes que não vale a pena buscar esse último caminho. Peter. T. Forsyth asseverou: "Você deve conviver com pessoas para conhecer os problemas delas, e viver com Deus para resolvê-los." Você pode ler todos os livros do mundo, mas a Bíblia deve ser sua principal companheira das manhãs. Não negocie este padrão elevado de conduta cristã: estudar as Escrituras e estar sozinho com Deus, em oração. O que somos no secreto será um megafone em público.
 
Não se preocupe com a demanda. Li recentemente no livro "Igreja Desviada" de Charles Swindoll, o seguinte: "A demanda sempre será maior que a sua capacidade de atendê-la". Ele tem razão! Lembre-se, nem o Senhor Jesus atendeu a todos. Ativismo gerará doença, estresse e mais ativismo. Colocará você num ciclo vicioso de atividades sem produtividade. Se eu morresse hoje, mesmo sendo jovem, me arrependeria de muitos desgastes desnecessários em ativismo sem propósitos, porém, jamais me arrependeria por fazer discípulos. Relacionar-se com pessoas e levá-las a maturidade é o caminho para um ministério de "sucesso". É esse o caminho que quero. É isso que almejo. Este é o meu propósito. E não abro mão desse princípio! Ainda que as expectativas elaboradas pelas pessoas - às vezes, alimentadas por projeções populares sobre o ministério pastoral e não pelas Escrituras - pressionem-me para uma direção oposta, Aquele que vocacionou não deixará a chama nuclear se apagar, ou seja, o desejo de investir em gente.
 
Não abra mão de sua humanidade. Deus não lhe deu esse direito. Você não é um semi-deus. Pelo contrário, é pecador, vive por causa da graça de Deus e sua força ministerial estará exatamente em sua fraqueza. Não permita ser estigmatizado como um super-herói e tenha cuidado com a bajulação. O sucesso é efêmero e muito perigoso. Saiba que está aprendendo progressivamente, inclusive com seus erros. Aliás, aproveite para aprender com os erros alheios, pois, você não terá tempo para cometê-los todos sozinho. A vida passa rápido e as limitações, lutas e adversidades são pedagógicas. Trabalham em nosso favor e não contra nós. Jesus treinou no ambiente familiar, na carpintaria e no deserto durante 30 anos e teve 3,5 anos de ministério; não o contrário. Não dá pra inverter esse processo. Será aprovado aquele quer for provado primeiro. Então, tenha paciência, não se sinta um fracasso por ter fracassado algumas vezes, pois a obra de Deus em você ainda não está completa. Creio que os melhores anos da minha vida serão as últimas décadas. Até lá, sou aprendiz. Seja bem vindo 32!
"vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens." II Co 3:2Thiago Gigo Pereira

18 de fevereiro de 2014

CINCO AFIRMAÇÕES SOBRE O TRABALHO PASTORAL

"Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina". 2 Timóteo 4:2 1 – grifo nosso.

A atividade pastoral no Brasil ganha um perfil diferente de ministros em outros países por várias razões. Nosso contexto exige mais trabalho, conscientização e muitas outras barreiras que devem ser quebradas. Exige bastante “corpo a corpo” e mobilização. É um privilégio maravilhoso trabalhar numa nação onde o Evangelho de Cristo floresce. Mas também é um desafio servir num país onde 75 % da população sofre algum tipo de analfabetismo funcional (basicamente, lê, mas não interpreta corretamente[1]). Isso gera problemas que se retroalimentam e interferem diretamente no trabalho pastoral no Brasil. Obviamente, onde a maior parcela da população não valoriza a leitura – fator determinante para a compreensão da fé cristã – o trabalho pastoral jamais será compreendido na sua plenitude. 90 % dele ocorre no anonimato, sem que ninguém supervisione. E por trabalho pastoral façamos diferença entre a pastoral da igreja (exercida pela igreja local) e a pastoral na igreja (esta, exercida pelo pastor). Embora o cuidado pastoral seja dever de todo o cristão (pastoral da igreja), o pastor é a figura responsável pela condução dessa função e por presidir com diligência o rebanho de Deus, portanto a pastoral na igreja.  É disso que se trata este texto: do trabalho pastoral na igreja, pelo pastor local.

    1.   O PASTOR DE UMA IGREJA LOCAL NÃO É UM ATIVISTA RELIGIOSO
Numa sociedade desenvolvimentista, sufocada pela cobrança de resultados é compreensível que as pessoas pressionem umas das outras. Todavia, há perigos num ministério nutrido por resultados e um deles é o ativismo. É por causa do ativismo que muitos colegas do ministério pastoral, atualmente, não têm tempo para o principal: a Palavra, a família, etc. A função principal de um ministro do Evangelho é servir o povo de Deus, porém, de forma específica seu chamado é para o ensino das Escrituras. O pastor não é e não deveria ser um gerente administrativo, um "faz de tudo" que agrada a gregos e troianos, um multitarefas religioso ativista e que mal tem tempo para a família. O trabalho pastoral não deveria se resumir ao gerenciamento de tarefas institucionais. Não poderia estar condicionado apenas a eventos realizados com sucesso e ao cumprimento de metas. Segundo as Escrituras, a tarefa pastoral é altaneira, cheia de responsabilidades e exige esforço agonizante (Cl 1:28-29), entretanto em nada se assemelha ao gerenciamento corporativista de uma instituição sem fins lucrativos. O pastor não deveria ser um executivo que administra a igreja de Cristo como uma empresa. Ela é um organismo, não uma organização. É um movimento do Espírito na história. É uma rede de cuidados e que prioriza as pessoas não as estruturas burocráticas. Isso não significa que não tenhamos papéis administrativos decorrentes da personalidade jurídica da igreja diante do Estado. É necessário administrar, porém, sem substituir o trabalho pastoral essencial na comunidade. Precisamos ouvir Pedro: “pastoreai o rebanho de Deus” (1 Pe 1:5); então, já que o rebanho é de Deus e não propriedade do pastor, deveríamos pastoreá-lo com mais prudência, fazendo aquilo que o Senhor deseja. Tenho certeza que Deus não nos ordenou um ministério ativista.

     2.   O PAPEL MAJORITÁRIO DO PASTOR É O ESTUDO DAS ESCRITURAS
Muitos pastores caem no erro de fazer de tudo, menos estudar a Bíblia com zelo. Sua principal ferramenta precisa ser conhecida e manuseada afim de que o pregador não apenas papagueie o que outros já disseram. Não há problemas em repetições, todavia é preciso cavar os próprios tesouros. Somos como garimpeiros extraindo, expositivamente, as aplicações contidas nas Escrituras. Isso demanda tempo, leitura, pesquisa, memorização, registros e apresentação. Não é uma tarefa fácil. Em muitos casos 4 a 16 horas de estudo, dependendo do texto – muitas vezes mais que isso – gerando um cansaço psíquico e físico. Um pastor que não se desgaste no estudo das Escrituras será um mero repetidor de jargões e clichês. Não se tira água de uma esponja seca, assim como um pregador não falará com autoridade se não conhecer a Deus e sua vontade. Se a principal tarefa do pastor é ensinar e pregar, a maior parte do seu tempo deve ser utilizada nesta função – o estudo bíblico. Como diz a Bíblia:

“... sua satisfação está na lei do Senhor, e nessa lei medita dia e noite”. Salmos 1:2

“Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem sucedido”. Josué 1:8

3. A COMPARAÇÃO ENTRE AS CATEGORIAS PROFISSIONAIS E O TRABALHO PASTORAL GERAM UMA ANGÚSTIA DESNECESSÁRIA
Conheci um pastor que pregava muito mal, mas construiu um templo gigantesco. Era tido, pelos incautos, como um pastor de “sucesso” simplesmente por suas preferências herodianas. Não há nada de errado em ter estruturas, mas elas não podem tomar todo o tempo do trabalho pastoral. A comunidade deve exercer força conjunta para aliviar o pastor da preocupação com reformas, construções, adaptações e o funcionamento das estruturas. O pastor é forçado, muitas vezes, a “demonstrar trabalho” – como se a leitura, redação, pesquisa, não fosse trabalho. Enquadrar o trabalho pastoral nos EUA é mais fácil, acredito, que no Brasil. Aqui, a função é relativamente nova. Nos EUA, ou Inglaterra, por exemplo, é uma tarefa antiga e por muitos, reconhecida. Além disso, por causa da Teologia da Prosperidade e dos pregadores midiáticos muitos consideram que a tarefa pastoral é bem remunerada. É claro que não – afinal, no Brasil, a grande maioria recebe (nem sempre em dia) côngruas insuficientes para a própria manutenção. Não é o meu caso, pela graça de Deus. O conceito de trabalho pastoral num país onde a maioria dos cidadãos ganha salários medíocres para sobreviver e muitos enfrentam uma carga horária de 8 a 12 horas diárias a comparação é quase que inevitável. É compreensível que as pessoas estejam insatisfeitas com o pouco tempo que possuem para a família, lazer, etc ... Como também é inadmissível que comparem seu padrão de vida ou seu trabalho com as funções pastorais. Cada função possui seus oásis e desertos.

  4. NÓS SOMOS OS RESPONSÁVEIS POR ESSA CRISE NO TRABALHO PASTORAL
Perdi a conta de colegas que conheci no ministério pastoral e tiveram suas atividades interrompidas por conta de vários problemas: problemas de saúde como depressão, AVC, infarto; crise no casamento, com filhos; crises financeiras e muitos outros motivos que precisam ser avaliados devido à complexidade de cada um. Espero que você, ao comentar este polêmico artigo, não faça uso de palavras isoladas para dizer o que eu não disse. Por isso, sem julgamentos – este ou aquele pastor fez isso ou não fez. Não há espaço para acusações indiscriminadas aqui.
O grande problema no trabalho pastoral é a falta de cuidado e de senso de prioridade. A falta de foco. O apóstolo Paulo dizia: “Uma coisa faço ...” (Fl 3:13). Jesus não veio oferecer uma religião para dar poder e dinheiro aos interessados. Ele ofereceu um estilo de vida baseado no discipulado relacional. Nossa tarefa é investir em alguns, como fez Jesus. O grande trabalho do pastor é estudar as Escrituras e investir em pessoas, porém não é possível cuidar de todos (2 Tm 2:2). Não fomos chamados para ministérios massificados e sem propósito. Os grandes responsáveis por esse cenário que mata igrejas e líderes são os próprios pastores. Ou seja, aqueles que alimentam um ministério ativista, pensam ser semideuses ou heróis que abriram mão de sua humanidade.
Aquele pastor que abre mão do tempo com as Escrituras para tomar dez cafezinhos na casa dos irmãos. Aquele que baseia seu ministério em eventos e programas e não no cuidado mútuo. Aquele enfim que faz do seu ministério um trampolim para o auto-reconhecimento – são eles os maiores responsáveis por passarem ao rebanho de Deus uma imagem equivocada do ministério pastoral. Visitas que são muito proveitosas sempre que necessário especialmente aos enfermos e idosos, ao meu olhar, mas que não podem se tornar o foco maior. É preciso investir em alguns. É impossível um pastor cuidar de 100, 200 ou 300 pessoas de uma comunidade sozinho. Seria demagogia afirmar isso. Portanto, pastoreemos o rebanho de Deus e discipulemos alguns (Cl 1:28-29; 1 Ts 2:7,11; 2 Tm 2:2). Preguemos a Palavra com autoridade no púlpito, mas não deixemos o cuidado com a saúde, a família, tempo com Deus, com as Escrituras.

     5.   QUEM É PREGUIÇOSO COLHERÁ O FRUTO DE SUA SEMEADURA
"A felicidade e a saúde são incompatíveis com a ociosidade". Aristóteles

O preguiçoso colherá ruínas e o ocioso a destruição. Estar ocioso não é o mesmo que estar preguiçoso. Porque quem tem preguiça pode ter disponibilidade, mas falta disposição. Quem está ocioso, tem disposição, mas falta disponibilidade. Ou a disponibilidade que o indivíduo possui não é devidamente usufruída.
As duas coisas que ambos têm em comum é que a preguiça e o ócio levam ao pecado. Não é a toa que nas prisões brasileiras bandido só tem tempo para planejar crime, porque o ócio o favorece. Imagine a quem falta disposição e disponibilidade. Ociosidade e preguiça num indivíduo só geram ruína. E não calculamos os resultados disso no ministério pastoral. Você percebe um pastor é preguiçoso não pelo número de visitas que ele deixa de fazer, mas pelos sermões superficiais, vazios, sem conteúdo. Seus estudos bíblicos são repetições ecoadas há anos. Não há nada novo que saia da boca de um preguiçoso. Nada que alimente a alma. Apenas ecos papagaiados por quem não dedicou o tempo que tinha para meditar. Além, é claro, de o indivíduo demonstrar com a sua própria vida corrupta e pecaminosa, os resultados de sua ociosidade. Como disse certo escritor: "O homem ocioso é como a água parada: corrompe-se".

Não fazer o devido uso do tempo e das oportunidades são algumas das causas de um ministério infrutífero. Falta capacidade para gerenciamento da vida. Se não governar bem a família como o ministro cuidará da igreja de Deus?  (1 Tm 3:15). É preciso gerenciar tudo para que tenhamos tempo para oração, estudo, administração financeira privada, cuidado da esposa, filhos, etc... Sem isso, o pastor será mais um escravo do mercado, esmagado pela produção de resultados. A igreja que diz pregar os valores do Reino de Deus não pode compactuar com este sistema perverso de opressão trabalhista. Não pode impor ao pastor local as mesmas pressões que a sociedade impõe, injustamente, ao trabalhador secular. Nosso código de ética é celestial e a CLT não é justa com o trabalhador comum, pois, não prega os valores do Reino. Precisamos ter consciência de que Deus é Pastor responsável e cuidará, inclusive, para julgar os líderes do Seu povo. Ele não deixará o preguiçoso impune. Admiro um pastor que se esmera no estudo das Escrituras e na oração, mas não atribuo uma fagulha de louvor ao displicente, que faz de tudo, menos conhecer o seu Deus e fazê-lo conhecido. Paulo afirmava: “Nós o proclamamos, advertindo e ensinando a cada um com toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo. Para isso eu me esforço (agonizomai), lutando conforme a sua força, que atua poderosamente em mim” (Cl 1:28-29). – grifo meu.

Concluo afirmando que todo ministro é digno de seu salário e ninguém deve negar-lhe esse direito dado por Deus. “Da mesma forma o Senhor ordenou àqueles que pregam o evangelho, que vivam do evangelho” (1 Co 9:14). Todo o ministro deve ser obedecido em amor, porém cumprir seu papel ao pastorear o rebanho de Deus. “Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o trabalho deles seja uma alegria e não um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês” (Hb13:17). Todo o ministro deve ser um exemplo para o rebanho e esforçar-se no trabalho pastoral. Isso é bom para  si mesmo, para o rebanho e glorifica a Deus.




[1] In: Segundo dados de 2005 do IBOPE, no Brasil o analfabetismo funcional atinge cerca de 68% da população (30% no nível 1 e 38% no nível 2). Somados esses 68% de analfabetos funcionais com os 7% da população que é totalmente analfabeta, resulta que 75% da população não possui o domínio pleno da leitura, da escrita e das operações matemáticas, ou seja, apenas 1 de cada 4 brasileiros (25% da população) é plenamente alfabetizado, isto é, está no nível 3 de alfabetização funcional. Fonte: Wikipedia.org

25 de janeiro de 2014

O MEDO DO AMOR

“No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro”. 1 João 4:18-19 - NVI

Certamente, quem serve a Deus por medo não serve o Deus bíblico, mas o "deus" da culpa, das crises existenciais que povoam a consciência. Afinal, nosso Deus é amor! E esta é a melhor, menor e mais profunda definição sobre a natureza de Deus. O medo que as religiões têm promovido - sobretudo evangélicas, infelizmente, vai na contra-mão do Evangelho. Eu mesmo já tive muito medo e de muitas coisas, entretanto, ao conhecer o amor de Deus todo temor se esvai. Todo ser humano tem um buraco do tamanho de Deus e é dEle que precisamos para espantar nossos temores internos.
“No amor não há medo”, diz João. Deus não pode se contradizer. Ele não seria como os incautos que dizem uma coisa hoje e outra amanhã. Deus não domina o Universo com medo, mas se assenhoreia dos corações com amor. É dessa forma que Deus agem em nós, não através do medo, porque no amor ele não tem lugar. Ambos não podem coexistir na mesma substância, tampouco participar da mesma eternidade. É por isso que no lar eterno não haverá medo, nem esperança – porém o amor já está lá, aguardando-nos.
“O perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo” – Não basta ser amor, é preciso ser perfeito. O Deus de amor é assim. Completo, sem defeitos. O medo é algo como um estado de ser cheio de imperfeições, logo, não pode conviver com o amor. O amor expulsa o medo. Alguém que tem medo precisa ser amado para que seus dragões da alma sejam ejetados. E como o amor é perfeito, logo podemos ser – meu verbo preferido. Já o medo, contenta-se com o verbo ter. “Tenho medo”! - você diria. Porém, geralmente, jamais diria “tenho amor”, e sim “sou amado” ou “amo”. Tudo que a gente tem pode ser expulso, já o que somos faz parte da nossa essência. Portanto, assim como o ter não é maior que o ser, o medo não vence o amor. Quem tem medo deixa de ser e quem ama não precisa ter para amar. Afinal, medo é algo que possuímos, amor é aquilo que nos possui.  Medo é o que temos, já o amor, o que somos. Quando deixamos de amar, deixamos de existir. Ao deixar de temer, simplesmente deixamos de ter. Quem serve a Deus por amor ao ter e não com o medo de deixar de ser, sofre o castigo da imperfeição – “o medo supõe castigo”, diz João. Precisamos temer pelo amor ao ter, para ser. Necessitamos amar a Deus não para escapar do castigo que o medo traz, mas pelo amor, ao Amor.
“Aquele que tem medo (fobos) não está aperfeiçoado (teleios) no amor (agape)”. Somente algo perfeito pode aperfeiçoar. Quando Deus age em nós, o amor nos aperfeiçoa, completa ou amadurece – teleios no grego original significa perfeição, o todo, ser completo. O grande ofício do amor é a maturidade, a completude, o ápice da existência espiritual. Já quem tem medo, recebe o castigo da imperfeição, ou seja, o resultado do medo é a imaturidade espiritual. Quem tem medo é incompleto, imaturo. Quem ama é aperfeiçoado, pois está na escalada da maturidade. Enfim, quem tem medo de Deus, possui medo do amor. E ninguém que tenha medo de amar é aperfeiçoado ou amadurecido. Permanece refém da imaturidade, cravado na avalancha da mediocridade, por causa do medo.
“Nós amamos porque ele nos amou primeiro”. A iniciativa para salvar a humanidade é sempre divina. O homem não pode amar a Deus sem o amor do próprio Deus. Tudo o que tem amor verdadeiro começa nEle e se converge para Ele. Ele é o início e o fim, o princípio e o desfecho, a causa e o final. Portanto, somente Deus pode fornecer a solução cabal para o problema do pecado, ao encarnar-se no Filho e aplacar a Sua própria ira. "Se isso não é amor, o que mais pode ser"? – lembra a canção. Ao nos amar primeiro recebemos a oportunidade para amar. É como um alpinista que, apesar do medo, escala uma montanha em direção ao cume que se aproxima. O pico chegou ao alpinista ou o contrário? Nós escalamos para o amor, ou o amor chega para nós na medida em que escalamos? O pico sempre esteve lá, como o amor. Como o montanhista apresentado ao monte - que existia antes dele - vislumbrado, decide escalar até chegar no alto desejado. Assim é Deus, com seu amor que se torna alvo de todos nós que um dia recebemos sua revelação. Escalar a montanha da maturidade só é possível porque fui enlaçado pelas cordas do amor de Deus. Olharei para as avalanches do medo, ou fitarei minha confiança no pico do amor? Ah... como quero, sem medo, aperfeiçoar-me neste monte, cujo pináculo é Deus, o Amor, a Perfeição.
"Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados". 1 João 4:10 



23 de janeiro de 2014

O PROPÓSITO DE AMAR


Freqüentemente renovamos os propósitos com o início de um novo ano. O regime, a academia, o livro a ser lido e muitos outros motivos que povoam nossas conversas no início de 2014. Alguns, até com entusiasmo, prometem mais comunhão com Deus e com as pessoas, mas ao longo do ano vão esfriando-se. Todos outros propósitos acima são bons, porém serão inúteis se não tiverem o amor como foco majoritário. Nada se fará novo, no ano novo se o coração não se renovar. Só existe ano novo com uma vida nova. Por isso, neste ano, sugiro o propósito maior: peça a Deus um coração regenerado pelo seu amor e que lhe capacite a amar. De que forma? Comece orando e liberando perdão pela fé e deixe 2013 com o coração pacificado, em amor.
Perdoar significa abrir mão do "direito" de se sentir magoado. Perdoar é uma decisão que liberta o outro da nossa própria consciência. Perdoar é um remédio para a alma. Perdoar é uma ponte que construímos para um dia, também, passar por ela. Não leve o cheiro fétido das sementes de amargura para o ano seguinte. Em 2014, perdoe mais!
Amar é uma decisão corajosa; é muito mais que um sentimento. Amar é uma atitude daquele que imita os passos do Deus que se fez homem, encarnou-se, humilhou-se e se fez pecado por nós na cruz. Deus que abriu mão do direito de ser servido para servir. Amar significa a renúncia do eu, a morte do egoísmo. Significa, portanto, o desejo de dar sem requerer algo em troca. Deus, ao amar, deu seu único Filho. Quem ama oferece graciosamente sua decisão voluntária de servir, mesmo que não queira. Em 2014, ame mais!
Em 2014 priorize amar dois objetivos para os quais fomos criados: Deus e as pessoas. Tudo passará, porém o amor continua. No fim da vida, quem sabe no leito pré morte, apenas duas partes serão lembradas com fervor: Deus e as pessoas que aprendemos a amar.

A Trindade Santa já nos deu a lição:

1.  Deus no ensinou a amar enviando seu filho (1 Jo 4:19).
2.  Jesus nos ensinou a amar dando sua vida (Jo 13:34-35).
3.  O Espírito Santo nos ensina amar derramando o amor de Deus em nosso coração (Rm 5:5).
Quem ama a Deus, aprende a amar as pessoas. Única forma de Deus amar o meu próximo, é através de mim. Portanto, devo amar a família, os irmãos na fé e os incrédulos. Em 2014, faça seguidores dos passos do Mestre, Jesus Cristo, amando mais e melhor.


No amor de Jesus,  

ECOANDO A VOZ DE SPURGEON

Lendo Charles Haddon Spurgeon nesta semana, com temor e devoção, recebi palavras de encorajamento, exortação e sabedoria. Como me sinto humilhado e ao mesmo tempo enriquecido ao ler seus textos. Agora entendo porque muitas pessoas se rendiam a Cristo apenas ao lerem seus textos em papéis onde se embrulhavam pães. É sempre um privilégio olhar para homens de fé que viveram no passado com humildade e maturidade, simplicidade e grandeza, longanimidade e coragem ao mesmo tempo. Que nossos jovens e adolescentes busquem esses referenciais do passado, leiam seus textos, meditem nos tesouros literários que deixaram cravados na história. Busquem como referência este homem que aos 6 (seis) anos de idade lera o livro O Progresso do Peregrino inteiramente e mais 100 vezes após isso. Aos 20 anos, já havia pregado por mais de 600 vezes e foi instrumento direto de Deus por 12.000 conversões. Ler Spurgeon, o príncipe dos pregadores, é sempre alimento sadio para a alma sedenta de profundidades em meio a tantas superficialidades modernas. Abaixo, recomendo este belíssimo texto de Spurgeon:

A TODOS ELE CUROU
“Muitos o seguiram, e a todos ele curou  (Mt. 12:15)

Que multidão de doentes repugnantes deve ter se aglomerado sob olhos de Jesus! Apesar disso, não lemos que Ele estivesse com nojo, e sim pacientemente esperando cada caso. Que variedade singular de males deve ter se encontrado a Seus pés! Que úlceras nojentas e que feridas purulentas! Ainda assim Ele estava pronto para cada nova forma de terríveis males, e foi vencedor sobre cada uma delas. Deixe que os dardos venham de todos os lados, Ele extinguiu seu poder flamejante. O calor da febre ou o calafrio da inflamação; a letargia da paralisia, ou a cólera da loucura; a imundície da lepra, ou a escuridão da cegueira – todos conheceram o poder de Sua palavra, e fugiram ao Seu comando. Em todos os cantos da terra Ele foi triunfante sobre o mal, e recebeu o respeito dos cativos libertos. Ele veio, viu, e venceu em todos os lugares. Ainda é assim nesta manhã.

Qualquer que seja o meu caso, o Médico amado pode me curar; e qualquer que seja o estado dos outros de quem eu possa me lembrar neste momento de oração, posso ter esperança em Jesus que Ele será capaz de curá-los de seus pecados. Meu filho, meu amigo, alguém querido, posso ter esperança para cada um, para todos, quando me recordo do poder medicinal de meu Senhor; e por minha conta, qualquer que seja a gravidade da minha luta contra os pecados e as enfermidades, ainda posso ficar alegre. Aquele que na terra andou em hospitais, ainda dispensa a Sua graça, e faz maravilhas entre os filhos dos homens: deixe-me ir a Ele de uma vez por todas em plena confiança.
Vou louvá-lO esta manhã, enquanto me recordo de como Ele trabalhou Suas curas espirituais, as quais Lhe trouxeram grande renome. Foi por tomar sobre si nossas enfermidades. “Por suas chagas, fomos sarados.” (I Pe. 2:24) A Igreja na terra está repleta de almas curadas por nosso Médico amado; e os habitantes do próprio céu confessam que “A todos Ele curou.” Venha, então, minh´alma, anuncia em todos os lugares as virtudes da Sua graça, e deixa “ser isto glória para o SENHOR e memorial eterno, que jamais será extinto.” (Is. 55:13)

Fonte: Morning and Evening (Devocional Matinal do dia 07 de Maio)

Tradução: Mariza Regina Souza

23 de dezembro de 2013

NATAL NÃO É ...

“...E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome ...”  Filipenses 2:7-9

Em nossa cultura experimentamos datas vazias e sem significados, muitas vezes. Coelhos na páscoa cristã, Papai Noel no natal de JESUS, bruxas no lugar de Martinho Lutero.

Parece que adaptamos personificações culturais de outros países e geralmente pegamos aquilo que não tem muita significância para o nosso contexto. Minha estimada amiga Margaret Hoerlle comentava com destreza recentemente: “Por que importamos o Halloween no dia 31 de outubro e não o dia da Reforma Protestante? Por que não adaptamos o Dia de Ação de Graças dos EUA?”.  Diante disso, pergunto: será que celebramos realmente o verdadeiro significado do Natal? Importamos o significado legítimo da natalidade de Jesus Cristo? Damos a verdadeira importância ao sentido do natal?

O Natal não é uma data sem importância. Ao reunir-se com a sua família em torno da mesa neste natal, lembre-se de orar celebrando a vinda do Deus encarnado, que se esvaziou, se humilhou e obedeceu até a morte na cruz. Foi o cabal suplício, sacrifício suficiente para a remissão dos nossos pecados. Tornamo-nos filhos de Deus, santuário do Espírito, nova criatura tendo como manjedoura de Deus um coração arrependido. Lembre-se disso neste natal, conforme diz a canção:

“Deus enviou seu Filho amado para nos salvar e perdoar, na cruz morreu, por meus pecados. Mas, ressurgiu e vivo com o Pai está! Porque Ele Vive! Posso crer no amanhã. Porque Ele Vive, temor não há. Então eu sei, eu sei ... que a minha vida, está nas mãos do meu Jesus que vivo está!”


Lembra-se dessa música? Ela fala do amor de Deus que enviou seu único Filho a nós (Jo 3:16). Dentre muitas outras, é uma música que relata o motivo da natalidade de Jesus. Fala a nós, cristãos, do verdadeiro sentido do natal. Temos muitas canções e textos bíblicos que refletem o motivo do natal. Por exemplo, no Evangelho de Lucas, o terceiro livro da Bíblia com a maior quantidade de canções:

O cântico de Isabel (1:41-45)
O cântico de Maria (1:46-55)
O cântico de Zacarias (1:68-79)
O cântico de Simeão  (2:29-32)
O cântico dos anjos  (2:14)

O Natal é tão importante para os cristãos que a própria Bíblia o celebra com muita festa, música e alegria.

O Natal não é apenas um memorial de um menino pobre que nasceu de uma virgem. Natal é um tempo em que celebramos o advento do novo nascimento (Jo 3; Is 9:1-7). Aquele menino Jesus dos presépios não precisa da nossa pena e compaixão. Ao olhar para o coxo – lugar onde os animais comiam – onde Jesus foi posto, não devemos ter dó daquele que veio ao mundo como Rei do universo, Sumo Sacerdote e Profeta maior. A pobreza do estábulo não deveria ofuscar o poder, a autoridade e a glória do Salvador. Jesus veio humilde, mas não é digno de pena. Por causa da encarnação de Deus, onde havia trevas, irrompeu a luz - como ocorre na vida daqueles que se rendem ao Senhor. 

Natal não é uma celebração para o Papai Noel. A figura lendária que foi inspirada em São Nicolau, ou Santa Claus, bispo de Mira (Dembre, na atual Turquia cerca de 270 dC) não substituirá o Salvador. Por isso, sem medo, devemos explicar às crianças que Papai Noel é um personagem mítico criado a partir de um clérigo católico que era venerado por levar presentes para crianças pobres, que para não ser visto, o fazia pela noite jogando os presentes em meias pelas chaminés. Porém, jamais deixar de ensinar que o verdadeiro Natal nos apresenta Jesus Cristo como o Salvador do mundo. Explique e a criança entenderá que Jesus Cristo é mais importante que o Papai Noel do mercado. Deixe claro que a celebração, o motivo de alegria e festa é Jesus. Como disse o anjo aos pastores naquela noite maravilhosa: "Eis que vos trago boas novas que serão de grande alegria para todo o povo. É que hoje vos nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor".  (Lc 2:11)
Enfim, o Natal não é o que o mercado determina, mas um tempo para celebrar a nova vida que recebemos em Jesus. Nesta data especial nos lembremos das atitudes que Jesus teve ao encarnar entre nós: esvaziamento, humildade e obediência. Tenhamos esses mesmos sentimentos. Dê presentes, abrace aqueles que você ama, mas jamais se esqueça que o maior presente que recebemos foi Jesus nosso Rei e Senhor.

Que seu natal seja significativo e especial!

Dicas para não cometer "girafices" nas redes sociais

Volto a postar dicas sobre a anti idiotice coletiva. Cuidado! Você pode ser contagiado pelo vírus da "girafice" social. Andam por aí tentando reproduzir repetições sem significado - loquacidades frívolas. Para representar melhor a analogia da ignorância, a girafa agigantou-se e saiu na frente do burro. Em palavras simples  e letras garrafais: cuidado com a burrice social, ou melhor: "GIRAFICE".

O fato de todos repetirem uma mesma coisa, não significa que seja correta. Nem todos querem postar uma foto de girafa; já não temos todos rosto de criança e nem todos têm os mesmos interesses. Por isso, as tentativas de enlatar todos os perfis numa onda como se todos fossem clones ideológicos são, para mim, "girafice" social. 

Pois bem, sem enrolação, aí estão as dicas para não ser "engirafado" com a multidão cibernética:

Não caminhe com a boiada para o matadouro.
Não caia no mesmo abismo que o outro caiu.
Não pegue a mesma onda que afoga a multidão.
Não se apequene às idiotices construídas por uma geração que desaprendeu a pensar.
Não se curve diante das futilidades que vociferam na internet.
Não se renda às algemas da escravidão coletiva que assenhoram-se do seu cérebro.
Pare de reproduzir, papagaiar, ou retransmitir o que deveria ser guardado apenas para você. 
Não se submeta à preguiça intelectual que neutraliza a interpretação dos textos.
Fuja das redundâncias ideológicas, mesmices pragmáticas e trivialidades culturais e aproxime-se dos conteúdos que estimulam a reflexão crítica. 
Enfim, torne este espaço um lugar útil, reflexivo e inteligente - sem "girafices".

Pense!

28 de novembro de 2013

SAÍ DA IGREJA - E AGORA?


“Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia”. Hebreus 10:25 (NVI)

A maior igreja evangélica no Brasil é a dos desigrejados. Foi-se o tempo que uma pessoa permanecia numa mesma comunidade do nascimento à morte. Por motivos variados – sem entrar em detalhes - dos mais fúteis problemas de relacionamento aos mais graves escândalos levam pessoas a desistirem da comunidade de fé que construíram em suas mentes idealizadas. A idealização romântica e superficial no coletivo social dos revoltados que desistiram de suas comunidades para viverem como hippies alternativos demonstra infantilidade e falta de conhecimento bíblico.
Não existe cristão avulso. A igreja é imperfeita e formada por pecadores indignos, porém é santificada pelo Salvador por sua graça e misericórdia. Você não pode ser cristão sozinho. Alguém disse - não recordo o autor - que "o coração não é uma ilha". Alguém que enxerga apenas os defeitos daqueles que fazem parte de uma igreja local são como aqueles – para você que é desse tempo – que davam mais atenção ao chiado dos discos do que à música do vinil. Contemplar a Jesus Cristo como ideal de perfeição é justo e bíblico, mas já para a igreja esse olhar é equivocado. Nossas aspirações e sonhos sobre a igreja deveriam ser alicerçados em pilares bíblicos, como o amor por exemplo.
Saia da sua igreja! Espere, não o faça sem antes ler o restante. Saia dela, SOMENTE, se ela não for bíblica. Desista dela se o púlpito não é levado a sério, se Deus é mercadejado ou a fé é banalizada como moeda de troca para sua satisfação pessoal. Fuja dessa igreja local se sua visão majoritária é a felicidade do homem e não a cruz de Jesus Cristo. Saia de sua igreja se ela se gira em torno dos eventos e não das pessoas. Mas ainda assim, você não poderá ser cristão sozinho. Tal como uma ostra acolhida numa concha, o cristão não pode se isolar para viver seu mundinho religioso longe das inevitáveis crises relacionais. Por isso, aconselho antes, esquivar-se do ostracismo religioso e acolchoar-se na colcha de retalhos que é a igreja, composta por muitos “Thiago’s” imperfeitos e fracos.
Caso você esteja procurando uma igreja que seja um Éden das pinturas renascentistas, composta por seres alados e angelicais que nunca lhe decepcionarão, então, sugiro que desista. A igreja não é esse imaginário que você construiu. Ela é pastoreada por um pastor Perfeito (1 Pe 5) – Jesus Cristo, é claro – mas está cheia de falhas. Você encontrará numa igreja local que é séria a paixão fervorosa por Deus, Sua vontade (as Escrituras) e pelos perdidos. Embora, também, encontrará outros Demas (Cl 4:14; Fl 1;24 e 2 Tm 4:10), Alexandre - o ferreiro (2 Tm 4:14), Diótrefes (3 Jo 1:19) e outras carnes de pescoço. Sim! Eles foram citados nas Escrituras como parte da igreja. É difícil de engolir que Deus permita tanto lodo em meio às águas cristalinas nas quais mergulhamos. É complicado para nós, que já não suportamos nossas próprias fraquezas, lidar com as dos outros. Para pessoas assim, a igreja não serve.
Ouvi de um experiente consultor de empresas, crente e acostumado a treinar pessoas, que aquelas que possuíam dificuldades para conviver em comunhão na igreja local eram as mesmas protagonistas dos problemas de relacionamento nas empresas. Conclui-se, portanto, que pessoas que possuem alto grau de dificuldade em viver em comunidade não conseguirão trabalhar em equipe, desenvolver relacionamentos para evangelizar ou sequer, desfrutar de unidade em família. Portanto, se uma igreja imperfeita não serve, nenhum outro grupo social servirá para agradar às exigentes expectativas elaboradas pelos que preferem “desigrejar-se”.

Concluo, apresentando alguns conselhos pastorais para ajudá-lo:


  •   Ore a Deus e peça amor, paciência e longanimidade para lidar com as pessoas na igreja.
  •   Nem pense em viver no isolamento social ou exercer a sua fé sem o relacionamento com os irmãos que são membros do Corpo de Cristo.
  •   Não saia da sua igreja por motivos banais. Os problemas vêm e vão. O amor permanece.
  •   A igreja brasileira está do jeito que está – desfragmentada – porque não faz discípulos saudáveis. Por isso, viva o discipulado e você não terminará sozinho no fim da vida!
  •   Se você está fora da casa do pai, volte! Há um braço estendido, um anel de honra, sandálias como sinal de boas vindas e um banquete esperando você (Lc 15).