23 de dezembro de 2013

NATAL NÃO É ...

“...E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome ...”  Filipenses 2:7-9

Em nossa cultura experimentamos datas vazias e sem significados, muitas vezes. Coelhos na páscoa cristã, Papai Noel no natal de JESUS, bruxas no lugar de Martinho Lutero.

Parece que adaptamos personificações culturais de outros países e geralmente pegamos aquilo que não tem muita significância para o nosso contexto. Minha estimada amiga Margaret Hoerlle comentava com destreza recentemente: “Por que importamos o Halloween no dia 31 de outubro e não o dia da Reforma Protestante? Por que não adaptamos o Dia de Ação de Graças dos EUA?”.  Diante disso, pergunto: será que celebramos realmente o verdadeiro significado do Natal? Importamos o significado legítimo da natalidade de Jesus Cristo? Damos a verdadeira importância ao sentido do natal?

O Natal não é uma data sem importância. Ao reunir-se com a sua família em torno da mesa neste natal, lembre-se de orar celebrando a vinda do Deus encarnado, que se esvaziou, se humilhou e obedeceu até a morte na cruz. Foi o cabal suplício, sacrifício suficiente para a remissão dos nossos pecados. Tornamo-nos filhos de Deus, santuário do Espírito, nova criatura tendo como manjedoura de Deus um coração arrependido. Lembre-se disso neste natal, conforme diz a canção:

“Deus enviou seu Filho amado para nos salvar e perdoar, na cruz morreu, por meus pecados. Mas, ressurgiu e vivo com o Pai está! Porque Ele Vive! Posso crer no amanhã. Porque Ele Vive, temor não há. Então eu sei, eu sei ... que a minha vida, está nas mãos do meu Jesus que vivo está!”


Lembra-se dessa música? Ela fala do amor de Deus que enviou seu único Filho a nós (Jo 3:16). Dentre muitas outras, é uma música que relata o motivo da natalidade de Jesus. Fala a nós, cristãos, do verdadeiro sentido do natal. Temos muitas canções e textos bíblicos que refletem o motivo do natal. Por exemplo, no Evangelho de Lucas, o terceiro livro da Bíblia com a maior quantidade de canções:

O cântico de Isabel (1:41-45)
O cântico de Maria (1:46-55)
O cântico de Zacarias (1:68-79)
O cântico de Simeão  (2:29-32)
O cântico dos anjos  (2:14)

O Natal é tão importante para os cristãos que a própria Bíblia o celebra com muita festa, música e alegria.

O Natal não é apenas um memorial de um menino pobre que nasceu de uma virgem. Natal é um tempo em que celebramos o advento do novo nascimento (Jo 3; Is 9:1-7). Aquele menino Jesus dos presépios não precisa da nossa pena e compaixão. Ao olhar para o coxo – lugar onde os animais comiam – onde Jesus foi posto, não devemos ter dó daquele que veio ao mundo como Rei do universo, Sumo Sacerdote e Profeta maior. A pobreza do estábulo não deveria ofuscar o poder, a autoridade e a glória do Salvador. Jesus veio humilde, mas não é digno de pena. Por causa da encarnação de Deus, onde havia trevas, irrompeu a luz - como ocorre na vida daqueles que se rendem ao Senhor. 

Natal não é uma celebração para o Papai Noel. A figura lendária que foi inspirada em São Nicolau, ou Santa Claus, bispo de Mira (Dembre, na atual Turquia cerca de 270 dC) não substituirá o Salvador. Por isso, sem medo, devemos explicar às crianças que Papai Noel é um personagem mítico criado a partir de um clérigo católico que era venerado por levar presentes para crianças pobres, que para não ser visto, o fazia pela noite jogando os presentes em meias pelas chaminés. Porém, jamais deixar de ensinar que o verdadeiro Natal nos apresenta Jesus Cristo como o Salvador do mundo. Explique e a criança entenderá que Jesus Cristo é mais importante que o Papai Noel do mercado. Deixe claro que a celebração, o motivo de alegria e festa é Jesus. Como disse o anjo aos pastores naquela noite maravilhosa: "Eis que vos trago boas novas que serão de grande alegria para todo o povo. É que hoje vos nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor".  (Lc 2:11)
Enfim, o Natal não é o que o mercado determina, mas um tempo para celebrar a nova vida que recebemos em Jesus. Nesta data especial nos lembremos das atitudes que Jesus teve ao encarnar entre nós: esvaziamento, humildade e obediência. Tenhamos esses mesmos sentimentos. Dê presentes, abrace aqueles que você ama, mas jamais se esqueça que o maior presente que recebemos foi Jesus nosso Rei e Senhor.

Que seu natal seja significativo e especial!

Dicas para não cometer "girafices" nas redes sociais

Volto a postar dicas sobre a anti idiotice coletiva. Cuidado! Você pode ser contagiado pelo vírus da "girafice" social. Andam por aí tentando reproduzir repetições sem significado - loquacidades frívolas. Para representar melhor a analogia da ignorância, a girafa agigantou-se e saiu na frente do burro. Em palavras simples  e letras garrafais: cuidado com a burrice social, ou melhor: "GIRAFICE".

O fato de todos repetirem uma mesma coisa, não significa que seja correta. Nem todos querem postar uma foto de girafa; já não temos todos rosto de criança e nem todos têm os mesmos interesses. Por isso, as tentativas de enlatar todos os perfis numa onda como se todos fossem clones ideológicos são, para mim, "girafice" social. 

Pois bem, sem enrolação, aí estão as dicas para não ser "engirafado" com a multidão cibernética:

Não caminhe com a boiada para o matadouro.
Não caia no mesmo abismo que o outro caiu.
Não pegue a mesma onda que afoga a multidão.
Não se apequene às idiotices construídas por uma geração que desaprendeu a pensar.
Não se curve diante das futilidades que vociferam na internet.
Não se renda às algemas da escravidão coletiva que assenhoram-se do seu cérebro.
Pare de reproduzir, papagaiar, ou retransmitir o que deveria ser guardado apenas para você. 
Não se submeta à preguiça intelectual que neutraliza a interpretação dos textos.
Fuja das redundâncias ideológicas, mesmices pragmáticas e trivialidades culturais e aproxime-se dos conteúdos que estimulam a reflexão crítica. 
Enfim, torne este espaço um lugar útil, reflexivo e inteligente - sem "girafices".

Pense!

28 de novembro de 2013

SAÍ DA IGREJA - E AGORA?


“Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia”. Hebreus 10:25 (NVI)

A maior igreja evangélica no Brasil é a dos desigrejados. Foi-se o tempo que uma pessoa permanecia numa mesma comunidade do nascimento à morte. Por motivos variados – sem entrar em detalhes - dos mais fúteis problemas de relacionamento aos mais graves escândalos levam pessoas a desistirem da comunidade de fé que construíram em suas mentes idealizadas. A idealização romântica e superficial no coletivo social dos revoltados que desistiram de suas comunidades para viverem como hippies alternativos demonstra infantilidade e falta de conhecimento bíblico.
Não existe cristão avulso. A igreja é imperfeita e formada por pecadores indignos, porém é santificada pelo Salvador por sua graça e misericórdia. Você não pode ser cristão sozinho. Alguém disse - não recordo o autor - que "o coração não é uma ilha". Alguém que enxerga apenas os defeitos daqueles que fazem parte de uma igreja local são como aqueles – para você que é desse tempo – que davam mais atenção ao chiado dos discos do que à música do vinil. Contemplar a Jesus Cristo como ideal de perfeição é justo e bíblico, mas já para a igreja esse olhar é equivocado. Nossas aspirações e sonhos sobre a igreja deveriam ser alicerçados em pilares bíblicos, como o amor por exemplo.
Saia da sua igreja! Espere, não o faça sem antes ler o restante. Saia dela, SOMENTE, se ela não for bíblica. Desista dela se o púlpito não é levado a sério, se Deus é mercadejado ou a fé é banalizada como moeda de troca para sua satisfação pessoal. Fuja dessa igreja local se sua visão majoritária é a felicidade do homem e não a cruz de Jesus Cristo. Saia de sua igreja se ela se gira em torno dos eventos e não das pessoas. Mas ainda assim, você não poderá ser cristão sozinho. Tal como uma ostra acolhida numa concha, o cristão não pode se isolar para viver seu mundinho religioso longe das inevitáveis crises relacionais. Por isso, aconselho antes, esquivar-se do ostracismo religioso e acolchoar-se na colcha de retalhos que é a igreja, composta por muitos “Thiago’s” imperfeitos e fracos.
Caso você esteja procurando uma igreja que seja um Éden das pinturas renascentistas, composta por seres alados e angelicais que nunca lhe decepcionarão, então, sugiro que desista. A igreja não é esse imaginário que você construiu. Ela é pastoreada por um pastor Perfeito (1 Pe 5) – Jesus Cristo, é claro – mas está cheia de falhas. Você encontrará numa igreja local que é séria a paixão fervorosa por Deus, Sua vontade (as Escrituras) e pelos perdidos. Embora, também, encontrará outros Demas (Cl 4:14; Fl 1;24 e 2 Tm 4:10), Alexandre - o ferreiro (2 Tm 4:14), Diótrefes (3 Jo 1:19) e outras carnes de pescoço. Sim! Eles foram citados nas Escrituras como parte da igreja. É difícil de engolir que Deus permita tanto lodo em meio às águas cristalinas nas quais mergulhamos. É complicado para nós, que já não suportamos nossas próprias fraquezas, lidar com as dos outros. Para pessoas assim, a igreja não serve.
Ouvi de um experiente consultor de empresas, crente e acostumado a treinar pessoas, que aquelas que possuíam dificuldades para conviver em comunhão na igreja local eram as mesmas protagonistas dos problemas de relacionamento nas empresas. Conclui-se, portanto, que pessoas que possuem alto grau de dificuldade em viver em comunidade não conseguirão trabalhar em equipe, desenvolver relacionamentos para evangelizar ou sequer, desfrutar de unidade em família. Portanto, se uma igreja imperfeita não serve, nenhum outro grupo social servirá para agradar às exigentes expectativas elaboradas pelos que preferem “desigrejar-se”.

Concluo, apresentando alguns conselhos pastorais para ajudá-lo:


  •   Ore a Deus e peça amor, paciência e longanimidade para lidar com as pessoas na igreja.
  •   Nem pense em viver no isolamento social ou exercer a sua fé sem o relacionamento com os irmãos que são membros do Corpo de Cristo.
  •   Não saia da sua igreja por motivos banais. Os problemas vêm e vão. O amor permanece.
  •   A igreja brasileira está do jeito que está – desfragmentada – porque não faz discípulos saudáveis. Por isso, viva o discipulado e você não terminará sozinho no fim da vida!
  •   Se você está fora da casa do pai, volte! Há um braço estendido, um anel de honra, sandálias como sinal de boas vindas e um banquete esperando você (Lc 15).

27 de setembro de 2013

Shabath - Por que não guardamos o sábado?

Perguntaram-me no ASK.fm recentemente: "Por que as igrejas evangélicas não guardam o 4º mandamento, o sábado?"

Respondo: 

Sua pergunta é generalizadora e cheia de preconceitos. Coloca todos os "evangélicos" no mesmo saco, como se todos, de fato, pregassem o verdadeiro Evangelho. Sugiro que seja mais específico. As igrejas protestantes não desprezam o 4º mandamento. Elas o interpretam com inteligência e sabedoria. Elas consideram o texto, dentro do contexto e seus reais objetivos/intencionalidades para aqueles dias e para hoje. Elas interpretam as Escrituras pelas Escrituras. Em resumo, não extraímos ou particionamos o decálogo em regrinhas morais e legalistas. Não olhamos para a lei como agente da salvação. Afinal, é impossível cumprir toda a Lei (ou você é tão moralmente correto e bom que cumpre toda a lei?). Ela serve para condenar o pecado e não para salvar. O cumprimento da Lei é insuficiente para a salvação e anula a graça de Cristo. Se guardássemos o 4º mandamento ou qualquer outro somente porque ele está lá, poderíamos rasgar a carta aos Gálatas que condena a prática dos judaizantes (inclusive os modernos). Para interpretar o Shabath no AT é necessário olhar para as tradições rabínicas, sobretudo para o que Jesus Cristo afirmou e fez no dia de sábado. A palavra sábado é procedente do hebraico Shabath e significa descanso. Esta é a ideia fundamental da palavra, e não o fato de ser o sétimo dia.
O Shabath era usado para celebrar cultos de festejo pelos seis dias trabalhados, pela colheita e pelas bênçãos. Deus ensinara o sobre o descanso já na criação. Deus shabateou - sim, como um verbo - ou seja, Deus celebrou, santificou o que havia terminado. Conforme se lê em Ge 2:2 “Ora, havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou nesse dia de toda a obra que fizera”.

Segundo o Pr. Enéas Tognini, há três sábados na Bíblia: 

"O primeiro, o edênico (universal) que Deus institui ao cessar as obras da criação, mostrando que o homem deveria ter um dia para descansar das suas atividades e dedicá-lo ao Senhor (Gn 2.1-3). 
O segundo, o legal (7o dia) - o judeu da Bíblia e o de hoje guardam este dia (Êx 20.8-11). 
O terceiro, o cristão (1o dia da semana), dia em que Deus completou o plano de redenção com a ressurreição de Cristo (Mt 28.1; Mc 16.9; Lc 24.1; Jo 20.1)". 

O sábado não é um dia da semana: é um tempo litúrgico e um tema teológico. Sábado é um estado da alma em que a gente se vê sossegado, despido de ansiedades perturbadoras e não o cumprimento simplista do calendário lunar. O sábado é usado para designar o sétimo dia. O número 7 na tradição judaica significa completude, perfeição, o todo. Isso significa o desfecho de um ciclo. Sobretudo, o sábado deve ser entendido como intervalo/pausa das atividades, enfim, descanso. Se Deus descansou - esta é a lição - devemos seguir o seu exemplo.

Todavia, indico a prática da guarda do sábado. Não para aqueles que entendem que por obedecerem uma regrinha terão seu lugar garantido no céu e sim para aqueles que caem no erro do ativismo. Para os pais de família que não tiram tempo com seus filhos, aos workaholic's de plantão, aos cristãos ativistas e que estão doentes por não descansarem. Aos desobedientes, resta a Lei. Aos obedientes, a graça basta.

Paz e muita GRAÇA!

30 de agosto de 2013

DEUS: PRAZER OU NECESSIDADE?

"Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos! A minha alma está desejosa, e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo." Salmos 84:1-2

Você já se perguntou sobre a razão pela qual muitas pessoas, além de ir a igreja, serem cristãs praticantes, ainda continuam com uma enorme sensação de vazio existencial? É porque sua satisfação ainda não é Cristo! É por isso que as pessoas mudam-se de igreja para igreja, sempre a procura de novidades que, porventura, preencham seus vazios internos. Mas nada tapará o seu "buraco do tamanho de Deus" senão o próprio Deus.
O salmo 84 é uma linda declaração poética daquele que se alegra em Deus. O salmista possui uma alegria inabalável, um prazer imensurável e satisfação completa em Deus. Demonstra a razão da nossa existência, o fundamento da alegria ultra circunstancial e o propósito maior para o qual fomos criados: Como asseverou John Piper:
“Deus é mais glorificado em nós quando estamos satisfeitos Nele.”
A vida cristã, geralmente, tem suas fases (descoberta, paixão, realismo, acomodação e obrigação), que muitas vezes, nos levam à pensar na fé evangélica como rotina, mesmice, ou algo trivial. Todavia, precisamos buscar, em todo o tempo, a plena satisfação em Cristo. Deus é glorificado quando buscamos viver de acordo com os seus propósitos eternos. Isso inclui viver para sua glória, alegrar-se Nele e amá-lo.
Não quero parecer legalista negando todo o tipo de prazer. Minha proposta não é oferecer uma vida isolada do mundo ou o ostracismo religioso, afinal, nosso Deus é divertido (tem senso de humor) e a vida que ele nos oferece não poderia ser diferente. Mas é fato inquestionável que vivemos numa geração hedonista, da busca pelo prazer pessoal a qualquer custo. É a geração que relativiza os valores, ignora o bom senso e tudo pela busca da satisfação pessoal. Tudo, obrigatoriamente, precisa dar prazer. Já não compramos mais por necessidade, mas por prazer. O prazer tornou-se o grande pilar da sociedade de consumo. Está nos outdoors e propagandas midiáticas. Associa-se quase tudo ao prazer: lazer, comida, drogas, promiscuidade e relacionamentos de curto prazo. Coisas boas e ruins.
E Deus - está associado mais ao prazer ou à visão dos deveres repressivos e regras morais? Nosso Senhor, por muitos, é visto como amuleto para suprir interesses sincréticos ou como divindade pessoal e relacional? E ainda, devemos questionar se o nosso relacionamento com Deus é motivado por satisfação desinteressada e paixão voluntária, ou porque não temos outra opção – o que não é mentira. A grande verdade é que, por mais que pensemos o contrário,“Deus nos tem em suas mãos, mas nós, nunca o temos nas nossas.” J. I. Packer
Para ilustrar a busca popular obstinada pelo prazer, discirnamos as propagandas para venda de álcool, por exemplo, sobretudo cerveja, geralmente, não estão acompanhadas das notícias de matança, acidentes de trânsito, doenças, brigas e desgraças relacionadas ao seu uso abusivo. As associações marqueteiras geralmente relacionam o álcool com alegria, festa e aceitação social. Os jovens são as principais vítimas desse tempo, pois estão freneticamente à procura de experiências que proporcionem alguma satisfação. Sem fugir do assunto, mas para não perder a oportunidade de polemizar: Penso que desassociar a propaganda do álcool deverá ajudar a população mais jovem, além de desafogar o SUS. E é claro, reduzir o número de diligências e acidentes de trânsito relacionados ao uso do álcool. Será o fim dos jornaizinhos policiais e diminuição de gastos públicos exorbitantes. Esse prazer das propagandas, na verdade, é engodo utópico para as massas.
Somos a geração das novidades que suprem prazeres momentâneos. Tudo isso é transferido para a fé. Por isso corremos o risco de buscar a Deus por necessidade hedonista, não por prazer voluntário. Deus torna-se o meio, não o fim. O caminho para a felicidade, não a felicidade em si. Buscamo-lo quando precisamos de alguma satisfação, quando tudo mais, não pôde preencher os abismos da alma humana. Deus fica em último plano, como adendo às nossas necessidades pessoais. Procuramo-lo como quem vai ao supermercado com interesse nalgum produto. Mas não é isso que este salmo nos ensina.
De que forma o salmista faria declarações tão profundas se seu amor maior não fosse o próprio Deus? “amáveis; minha alma suspira; meu coração e carne exultam; encontrei teus altares". É dessa satisfação em Jesus Cristo que precisamos. Como afirmou Leonard Ravenhill: “Cristo será tudo que você precisa, quando ele for tudo o que você tem”.
Lembro-me do cântico antigo e que cantava quando criança "Satisfação":

"Satisfação é ter a cristo, não há melhor prazer já visto;
Sou de Jesus e agora eu digo, satisfação sem fim.

Satisfação é nova vida, eu com Jesus em alegria;
Sempre cantando a melodia, satisfação sem fim

Sim paz real, sim gozo na aflição;
Achei o segredo: É Cristo no coração.


Satisfação é não ter medo, pois meu Jesus virá bem cedo;
Logo em glória eu hei de vê-lo;                                                     
Satisfação sem fim".

Satisfação em Deus é o que preciso, todo o tempo.

29 de agosto de 2013

Julgar ou não julgar? Eis a questão!

Martinho Lutero fixando as 95 teses da Reforma Protestante.
“... sabendo que fui posto para defesa do evangelho”. Filipenses 1:17

Não há um décimo primeiro mandamento tão proferido pela igreja moderna: "não julgarás”. Jesus autorizou o julgamento das heresias e pessoas, não a condenação. Julgar não significa condenar. Um julgamento indica discernimento, argumentação, acusação. A condenação é a sentença. E sentenciar alguém, somente Deus poderá fazê-lo.
Todavia, o julgamento deveria ser uma prática constante na igreja a fim de defender a fé do Evangelho. Senão, o que faríamos com os textos proféticos que denunciam o pecado? Leremos apenas as partes agradáveis e desprezaremos os textos que nos desagradam nas Escrituras? A Bíblia não é toda a Palavra de Deus? Não devemos considerar também as partes que falam da ira de Deus, sua abominação ao mal e seus julgamentos? É preciso pensar no julgamento como um ato de maturidade, que denota discernimento para separar o bem do mal. “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” (Isaías 5:20)

Não devemos julgar quando nossa vida não tem autoridade moral.
Ou seja, o julgamento é autorizado por Jesus como critério para a nossa própria fé. Ao fazer um julgamento, devo ter em mente o desejo de defender o Evangelho, ainda que tenha que julgar a mim mesmo. A fé do Evangelho, a verdade das Escrituras, a Palavra de Deus é mais importante que a reputação do “eu impostor”. No texto  a seguir, Jesus não diz para não julgar o próximo, mas para julgar primeiramente a nós mesmos.

“Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: Deixe-me tirar o cisco de seu olho, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão(Mt 7.3-5).

“Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês”. (Mt 7:2)

Paulo ainda diz:
“Portanto, você, que julga os outros é indesculpável; pois está condenando a si mesmo naquilo em que julga, visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas” (Rm 2.1).

Isso significa que um mentiroso não pode julgar outro mentiroso. Um adúltero não possui autoridade para julgar outro adúltero. Se Jesus dissesse isso em nossos dias, seria rotulado como moralista ou legalista. Certamente, Jesus não serviria aos padrões para o pastorado em nossos dias. Talvez ele não fosse visto com um crente ideal, já que vivia entre os pecadores da época e julgava freqüentemente os religiosos.

O que fazer com os julgamentos que o senhor Jesus fez? Omitiremos?
Lembre-se, o Senhor Jesus sempre julgou pessoas religiosas. Ele nunca julgou os incrédulos, em seu ministério. Aos pecadores incrédulos Jesus sempre oferecia compaixão, misericórdia e graça. Devemos fazer o mesmo.
“Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo”. (Mateus 23.13).
“Guias cegos! Vocês coam um mosquito e engolem um camelo”. (Mateus 23.24).
“Uma geração perversa e adúltera pede um sinal miraculoso! Mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal do profeta Jonas” (Mateus 12.39).
“Bem profetizou Isaías acerca de vocês, hipócritas; ...” (Marcos 7.6).
“Respondeu Jesus: Ó geração incrédula, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam-me o menino” (Marcos 9.19).

É importante salientar que os julgamentos devem ser motivados por longanimidade, espírito de unidade, desejo de promover amadurecimento, e amor. Afinal, julgamento é também uma atitude de amor que visa discernir o certo do errado para o bem do próximo. Será fácil diferenciar um julgamento cheio de discernimento de uma fofoca motivada por intrigas.

E conselhos sobre julgamento provenientes dos apóstolos?
Os pais da igreja, os apóstolos e mártires não foram menos severos ao tratar das injustiças e pecados do seu tempo. Vejamos:

“Apesar de eu não estar presente fisicamente, estou com vocês em espírito. E já condenei aquele que fez isso, como se estivesse presente (...) entreguem este homem a Satanás, para que o corpo seja destruído, e seu espírito seja salvo no dia do Senhor” (1 Coríntios 5.3-5).
“Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer” (1 Coríntios 5.11).
“Pois tais homens são falsos apóstolos, obreiros enganosos, fingindo- se apóstolos de Cristo” (2 Coríntios 11.13).
“Mas eles difamam o que desconhecem e são como criaturas irracionais, guiadas pelo instinto, nascidas para serem capturadas e destruídas; serão corrompidos pela sua própria corrupção! Eles receberão retribuição pela injustiça que causaram. Consideram prazer entregar-se à devassidão em plena luz do dia. São nódoas e manchas, regalando-se em seus prazeres, quando participam das festas de vocês” (2 Pedro 2.12-13).

“De fato, muitos enganadores têm saído pelo mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em corpo. Tal é o enganador e o anticristo. Tenham cuidado, para que vocês não destruam o fruto do nosso trabalho, antes sejam recompensados plenamente. Todo aquele que não permanece no ensino de Cristo, mas vai além dele, não tem Deus, quem permanece no ensino tem o Pai e também o Filho. Se alguém chegar a vocês e não trouxer esse ensino, não o recebam em casa nem o saúdem. Pois quem o saúda torna-se participante das suas obras malignas” (2 João 7-11).

Por isso, lembremo-nos: não existe o famigerado 11º mandamento “não julgueis”.  Ao invés de recitar ditos populares sem critério bíblico, como: “somente Deus pode julgar”, melhor dizer: “devemos julgar, pois, possuímos a verdade em nós e isto indica discernimento”. Se não fosse assim, ainda seríamos católicos romanistas e não protestantes.

Você está em paz com Deus e julga sem transferência de culpa, senso punitivo ou porque é um xiita evangélico? Sua motivação é amorosa cheia de misericórdia e graça? Então, julgue a vontade, mas não se esqueça de fazê-lo, primeiramente, consigo mesmo e sempre em amor.

Dito está!

8 de agosto de 2013

Pais brilhantes

“Disse-lhe, porém, o anjo: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida; e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, a quem darás o nome de João. Em ti haverá prazer e alegria, e muitos se regozijarão com o seu nascimento”. Lucas 1:13-14   

Temos nesse texto a família perfeita: Pai sacerdote, mãe sacerdotisa e filho profeta. Não poderia ser melhor! João seria um grande homem, equilibrado e Cheio do Espírito Santo. Mas tudo começa com a vida dos pais e não com os filhos. Para avaliar o caráter e a vida de João Batista é precisamos olhar para os seus pais. Pais brilhantes, tementes e fiéis a Deus. Que ensinavam pelo exemplo, não apenas pelas palavras. Afinal, pais brilhantes são semeadores de idéias e não controladores dos seus filhos. Cativam seus filhos pela sua inteligência e afetividade, não por seu autoritarismo, dinheiro ou poder. Não impõem seus conceitos, mas dão o exemplo. Isabel e Zacarias eram assim. Aprendamos, portanto, um pouco sobre eles.

 Nos dias de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote chamado Zacarias, do turno de Abias. Sua mulher era das filhas de Arão e se chamava Isabel. Ambos eram justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor”. Lucas 1:5-6

Vivemos dias em que os pais são ausentes. Trocam o diálogo pela TV. Os pais não imaginam o quanto a criatividade, a felicidade, a ousadia e a segurança do adulto dependem das matrizes da memória e da energia emocional da criança. Não compreendem que a TV, os brinquedos manufaturados, a Internet e o excesso de atividades obstruem a infância dos seus filhos. “Esperávamos que os jovens desta era fossem solidários, empreendedores e amassem a arte de pensar”, diz Augusto Cury. Mas muitos vivem alienados, não pensam no futuro, não têm garra e projetos de vida. Estou, particularmente, decepcionado com esta geração, com algumas exceções.
Como conseqüência da desestrutura familiar, os pais começaram a ouvir tais afirmações dos filhos, ainda na puberdade: - “Pai, estou usando maconha”! - “Mãe, estou grávida. - “Pai, eu quero um piercing na língua”. -“Mãe, sou gay; este aqui é meu namorado”. “Pai, quero uma tatuagem no bumbum”. Não se assuste, acho até que estou sendo comedido e simplório, embora cômico. Você tem o direito de discordar de mim se quiser, me chamar de moralista religioso e até dizer: “quero ver como será com o nascimento do seu filho”. A verdade dói.

Tudo está mais precoce. Crianças que namoram, adolescentes que dirigem sem habilitação; filhos tomando decisões que os pais deveriam tomar. Não é incomum encontrarmos pais cristãos com atitudes permissivas. A inversão de valores fomentada pela cultura moderna é absurda e assustadora. Mas não posso culpar as crianças, os jovens e adolescentes pelos fatos citados acima. Não posso apenas responsabilizar a liderança de jovens da igreja. O grande epicentro do problema e da solução são os pais. Somente pais brilhantes, exemplares e piedosos podem salvaguardar o futuro da posteridade.
Aos pais, digo: sejamos brilhantes como Zacarias e Isabel, pois, “Ambos eram justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor”. Aos filhos, assevero: seus melhores amigos estão dentro de casa, v.6! Honre-os.

Augusto Cury em seu livro Pais brilhantes, professores fascinantes (Editora Sextante) fala de sete hábitos dos bons pais e dos pais brilhantes. Achei oportuno compartilhar tais lições nesta data especial:

1.    Bons pais dão presentes, pais brilhantes dão seu próprio ser
2.    Bons pais nutrem o corpo, pais brilhantes nutrem a personalidade
3.    Bons pais corrigem erros, pais brilhantes ensinam a pensar
4.    Bons pais preparam os filhos para os aplausos, pais brilhantes preparam os filhos para os fracassos
5.    Bons pais conversam, pais brilhantes dialogam como amigos
6.    Bons pais dão informações, pais brilhantes contam histórias
7.    Bons pais dão oportunidades, pais brilhantes nunca desistem

Que vocês sejam grandes, equilibrados e cheios do Espírito Santo para que seus filhos o sejam também.

Com amor,

2 de agosto de 2013

O Papa é pop

“A ignorância é a mãe das heresias”. João Calvino

“Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura”. Isaías 42:8

Estou um pouco assustado com o apoio que os protestantes têm dado à vinda do Papa ao Brasil na última JMJ. É estranho que nos esqueçamos dos valores que nos separam do catolicismo romano e que foram abundantemente pregados na Reforma do Séc XVI. A Igreja Católica Romana continua a mesma, o que mudou foram as estratégias políticas e marqueteiras para angariar fiéis. “O papa é pop”. A mídia brasileira não poupa ninguém[1].
Papa Francisco é bem vindo ao Brasil. Como são bem vindas todas as pessoas de bem e com boas intenções. Mas não podemos deixar de afirmar que ele é o novo garoto propaganda de uma instituição em declínio no Brasil e que sua vinda faz parte das estratégias proselitistas, diferentes, é claro, daquelas que remontam o Brasil colônia. Talvez Papa Francisco saiba dos gastos absurdos para organizar sua vinda e que não desistiria da viagem - mesmo sendo adepto à ordem franciscana - ao saber dos 118 milhões (subestimados) que foram gastos com dinheiro do contribuinte (de todas as confissões religiosas, ou seja, pagamos por uma visita religiosa). E se fosse um pastor? Será que haveria tanto apoio da tendenciosa mídia em nosso país? Outra questão sobre a qual deve-se pensar é a incongruência dos gastos públicos para uma visita com propósito religioso - embora o Vaticano seja um país, sendo seu representante o Sumo Pontífice.
Tendo essas e muitas outras observações como pano de fundo e as precedentes alianças históricas dos grandes latifundiários com a igreja romanista (que também não deixa de ser uma hegemonia inquestionável nas questões de propriedades), a percepção que se descortina diante de nós é aquela tão preservada nos países com democracia de verdade: a laicidade do estado deve ser respeitada; mas no Brasil... isso não funciona.
O Papa disse numa de suas primeiras falas no Brasil “não tenho ouro nem prata...”, citando Atos 3,6 comparando-se a Pedro. Será? Isso é uma incoerência, para não dizer hipocrisia, tendo em vista a grande quantidade de ouro e prata nas reservas do Vaticano – boa parte dessa riqueza usurpada nas corridas coloniais, cruzadas, vendas de indulgências e alianças políticas. O Papa tenta usurpar também das prerrogativas de Jesus Cristo.
Jesus é Mediador Supremo: Ele é profeta, sacerdote e rei. Somente ele pode perdoar pecados. Somente ele é o Sumo Sacerdote e pode mediar o homem a Deus. E por fim, é Jesus Cristo o único rei digno de um trono e governar a história. Não nos esqueçamos dos concílios que aprovaram os mais absurdos dogmas anti bíblicos. Tais como seguem: no ano 310 Reza pelos defuntos, 320 Uso de Velas, 375 Culto dos santos, 431 Culto à “virgem” Maria, 503 Obrigatoriedade de se beijar os pés do papa, 850 Uso da água benta, 993 Canonização dos Santos, 1073 Celibato Sacerdotal, 1184 Instituição da Santa Inquisição, 1190 Venda de Indulgências, 200 Substituição do pão pela hóstia, 1215 Dogma da transubstanciação, 1229 Proibição da leitura Bíblica, 1316 Instituição da reza à Ave Maria, 1546 Introdução dos livros apócrifos, 1870 Dogma da infabilidade papal, 1950 Ascensão de Maria. Essas e muitas outras heresias foram fortemente combatidas pelos reformadores.
A heresia papal tenta roubar os ofícios de Cristo. A Igreja Católica Romana ensina que ele é representante de Cristo na terra e infalível em questões de fé e moral (Ex cátedra, Concílio Vaticano I,1870). Afirma ainda que o Papa é "sacramento de Jesus Cristo, a Verdade em pessoa e Aquele que veio trazer as verdades fun­da­mentais". Uma afronta à soberania de Deus e a primazia de Jesus.
A encíclica papal Dei Verbum (1965, Vaticano II) afirma que a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição da Igreja Católica Romana têm o mesmo peso para a fé. As Escrituras, nesse sentido, precisam passar pela tradição da igreja. Como comungar com uma denominação que coloca a tradição dos homens acima das Escrituras? Roma crê na obra de Cristo? Sim. Mas não crê somente na obra de Cristo. Roma crê na suficiência da fé? Sim. Mas também crê na suficiência das obras. Roma crê nas Escrituras? Sim. Mas, na prática, a Tradição suprime a Bíblia. Por isso, precisamos voltar aos temas pontuados na reforma.
A doutrina papal (a mentira de que Pedro fundou a Igreja, como substituto de Cristo e teria repassado o bispado aos sucessores) foi criticada por John Huss (queimado vivo pela Igreja), Martinho Lutero, João Calvino, John Wylclif e muitos outros reformadores. Não é normal, portanto, ver crentes defendendo a vinda do Papa ao Brasil, elogiando suas prédicas como se fosse um bom mocinho. Demonstra uma falta de conhecimento da história. Uma incoerência da fé. Os reformadores deram a vida por causa dos temas que fundamentaram a fé reformada e não podemos, como protestantes, jogá-las no lixo: Solus Christus (Só Cristo); Sola Fide (Só a Fé); Sola Gratia (Só a Graça); Sola Scriptura (Só as Escrituras).

Para outras referências bíblicas básicas, sugiro a leitura dos seguintes textos:

Suficiência das Escrituras: I Tim. 3:16-17, Apoc. 22:18-19.
Mariolatria. Êxodo 20:1-3; Mat 12:48; Lucas 11:27-29; Atos 4:12; I Tim 2:5.
Idolatria: Êxodo 20:4-6, Salmos 115, I João 5:21 e muitas outras passagens.
Somos salvos e justificados pela fé e não pelas obras. Rom 5:1; Efésios 2:8-10.
O celibato obrigatório é uma contradição, pois, Pedro tinha sogra. Mt 8:14-15; 1 Tm 3:1-3.



[1] “O Papa é pop, o pop não poupa ninguém”. Referência à música da banda Engenheiros do Havaí.

23 de julho de 2013

Rompendo com o hábito de*&%%MURMURAR *&%¨#


“E não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor”. 1 Coríntios 10:10

Murmurar significa reclamar, maldizer, conceber mau juízo[1]. Reclamamos com instantaneidade, agradecemos com vagarosidade. A murmuração é o grande mal desta geração. Mas há algo de bom na murmuração, por incrível que pareça: ela denuncia a nossa distância de Deus. E como sintoma denunciante ela indica o alto grau do nosso descontentamento. Enfim, a murmuração torna evidentes as percepções ingratas que temos sobre as coisas e demonstra o quanto somos insatisfeitos. É necessário romper com esse péssimo hábito.

Nossa primeira atitude, em geral, é criticar o murmurador. Mas isso não basta. Antes de ser um chato murmurante, aquele que reclama está doente. Sofre de enfermidade da alma. É gente que não foi amada, valorizada e preenchida. Possui muitas lacunas emocionais e traumas, por isso não pode dar aquilo que não recebeu. Todo o passado volta à tona, geralmente, exteriorizado através de revolta verbal. Alguém o frustrou no passado. Talvez, seus pais disseram que não era bom o suficiente. Quiçá, não tenha recebido afeto satisfatório? Ou ainda, tenha sido alvo de muita ingratidão por parte daqueles que beneficiou um dia? Não sabemos os motivos ou a origem exata. Entretanto, é certo que você está doente e precisa de cura na alma. A murmuração é apenas um sintoma de um mal maior. É a conseqüência, não a causa. O murmurador sofre e através da falação coloca para fora seu sofrimento psíquico. Como todo enfermo, portanto, precisa ser cuidado.

O oposto da murmuração é o agradecimento. A alma grata está farta de amor. Por isso, a melhor maneira de lidar com o murmurador é amando-o ultra circunstancialmente e sendo agradecido. Ele é escravo das suas próprias algemas emocionais. Precisa ser amado para libertar-se. O amor lança fora o medo, inclusive aquele que nos afugenta do contentamento. Portanto, ao murmurador deve-se o amor. Pague o mal com o bem sempre que possível e você imunizará o doente com a vacina do amor e da gratidão.

O murmurador geralmente é arrogante. Os soberbos não têm lugar no coração de Deus. Lúcifer foi afastado de sua gloriosa presença por causa desse pecado (Ez 28:17). Deus resiste a soberba, mas dá graça aos humildes. Comumente, o murmurador tem a péssima mania de achar solução para todas as coisas. Considera-se perito em todos os assuntos. Valoriza mais a própria opinião que a dos outros. E olha para as pessoas de cima para baixo.

O murmurador comumente é ansioso. A ansiedade flagra nossa falta de confiança em Deus. Ela delata nossas percepções erradas e denuncia que as nossas expectativas não são as mesmas de Deus. Por isso, gera frustração. É inútil, pois nos leva a sofrer antes de as coisas ocorrerem; e depois também, quando acontecem. Faz-nos de bobo. Prega-nos uma peça. Alguém disse que “60% das coisas pelas quais ficamos ansiosos jamais acontecerão”. Não é estranho que pessoas murmuradoras estejam extremamente frustradas, depressivas e com baixa-estima. Ansiedade e murmuração são irmãs, pois ambas neutralizam nossa fé. A ansiedade mede o quanto não confiamos em Deus; a murmuração reflete o quanto estamos insatisfeitos com o que ele tem feito.

A cultura da murmuração. Além de servir como o diagnostico de alguém insatisfeito, a murmuração é também um traço cultural. Não é apenas um hábito pessoal, mas coletivo. Depende do ambiente. Um padrão comportamental que tem como código de ética a constante insatisfação. Geralmente o ambiente da murmuração é extremamente carente de fé, sabedoria e do conhecimento das Escrituras. Em família, escolas, empresas, igrejas ou qualquer outro lugar de ajuntamento onde essas virtudes não sejam ensinadas, a murmuração encontrará solo fértil para crescer e se alastrar. É necessário neutralizá-la imediatamente, durante e depois. Esta conduta degenerativa para todos os grupos sociais desagrega igrejas inteiras e até famílias. Não basta não alimentar a tradição da murmuração, é preciso também atacá-la fervorosamente. Afinal, uma pessoa de fé, cheia de sabedoria e do conhecimento das Escrituras não será alvo fácil desse espinhoso costume.

A murmuração não resolve nada e ainda piora as coisas. Ela reflete a distância a que as pessoas estão dos valores do Evangelho. É a insatisfação própria que gera o desejo de ajustar a vida criticando a dos outros. É parecida com a inveja, pois, de regra, surge eivada de comparações arrogantes. É como o sujeito que julga o político por ser político e não por ser corrupto, todavia almejaria estar no lugar dele – por considerar-se mais competente. Ou aquele que, por invejar a posição social de outrem o ataca com palavras depreciativas. Murmuração é veneno que se toma pensando que o outro vá morrer. É a fossa que cavamos para a nossa própria destruição. Definitivamente, vale a pena romper com o hábito de murmurar.





[1] Dicionário Aurélio Séc XXI.

20 de julho de 2013

Perdoe

“Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens”. Romanos 12:18

Não há caminho mais certo para a libertação das doenças da alma que o perdão. Frequentemente nos vemos envolvidos em algum tipo de conflito relacional. Somos surpreendidos pelas pessoas que amamos quando ouvimos palavras de amargura e raiva. Nossa alma se abate quando somos alvos de fofocas, falsidade e mentira. Quem jamais sofreu algum tipo de palavra dura e amarga ou algum tipo de prejuízo por parte de alguém? Todos passamos por situações assim. Por isso, não é possível viver pacificado sem perdoar essas pessoas, tal como Deus nos perdoou. Vale a pena liberá-las das lembranças amargas que acumulamos. Se possível, procure a pessoa e converse francamente. Ore por ela e perdoe-a pela fé! "Jesus não morreu apenas para pagar pelos meus pecados contra Deus e as outras pessoas, mas também para pagar pelos pecados dos outros contra mim". Craig Hill 

"Aquele que não perdoa, destrói a ponte por onde ele mesmo tem de passar" George Heberth (citado no livro Maravilhosa Graça, de Philip Yancei)

Tenha os seguintes princípios em mente, ao perdoar:
a - Perdão é mandamento e não opção. Não tenho escolha, senão perdoar como Cristo me perdoou! 
b - Não tem haver com sentimento, mas com obediência à Sua Palavra. É, antes, uma decisão por fé!
c- Desate as amarras do passado e caminhe livre das feridas relacionais. Como disse Dale Gallowey: "Deixe que seus sonhos e nãos os remorsos controlem sua vida!"

Se você entende que alguém precisa dessa pequena reflexão, compartilhe. ‪#‎perdoe‬

ALMA ABATIDA? ESPERA EM DEUS.


As provações surgem e desaparecem, mas o cuidado de Deus é constante. Sei que muitas vezes você passa por adversidades e a sua alma fica abatida. A doença que chega, crise no casamento, problemas com filhos, desemprego, etc. Por mais que pareça, sua situação não reflete a ausência de Deus. Ele é soberano. Governa todos os detalhes da nossa história e nossa vida está em suas poderosas mãos. Ele não é um "deusinho" sádico, autoritário e que se diverte com as nossas mazelas. Deus assiste com cuidado a vida dos seus filhos, aqueles que foram chamados por ele, antes da fundação do mundo. Sua alma está abatida, mas Deus está trabalhando exatamente através dessas adversidades, forjando seu caráter e fazendo de você uma pessoa melhor. Como Elbert Hubbard, afirmou: "Deus não examinará você procurando medalhas, certificados ou diplomas, mas sim cicatrizes". O sofrimento serve para mostrar o quanto somos frágeis e, como asseverou C. S. Lewis no livro O problema do Sofrimento: "antecipa a miséria que todos um dia teremos de experimentar", ou seja, a morte. É uma denúncia ao pecado que trouxe miséria na história humana. Mas isso acabará um dia! Jesus Cristo derrotou todo sofrimento na cruz. O pecado, a morte e o sofrimento não estão totalmente destruídos ainda, mas serão definitivamente aniquilados da história (Ap 21:4). "Por que está abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu." Sl 42:11

16 de julho de 2013

Carta de um "bobo alegre"


“Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia”. Salmos 139:16

Olá meu(minha) filho(a),
Recebi a confirmação dos médicos que você está no ventre da sua mãe, por isso quero lhe dar as boas vindas. Recebo-o como um presente de Deus! Como ainda não sabemos o seu gênero, pois são apenas 6 semanas de gestação, permita-me tratá-lo no masculino. Está com o tamanho de uma ervilha agora. Seu coração bate forte. Ainda não há forma completa, mas pelo exame ultra som sabemos que você chegará em breve. Está saudável e pelo visto, muito bem acomodado nas entranhas amorosas de sua mãe.
Seu pai é um “bobo alegre” agora. Sua chegada virou meu mundo de ponta cabeça. Estou eufórico, alegre e com uma mistura de ansiedade e medo. Você mexeu comigo sem falar, ouvir ou pensar. Sou um homem mais completo por sua causa, desde a sua concepção. E este bobo que escreve, deseja deixar um registro desse momento histórico que preanuncia sua chegada. Antecipo este texto para que na idade oportuna você saiba como é amado, querido e desejado. Assim, também, há mais um motivo para eu alfabetizá-lo antes do período escolar.
Papai deseja que você seja fiel a Deus, em primeiro lugar. Ame-o com todo o seu coração. Não há razão melhor para sua existência. Para mim sua chegada foi uma agradável surpresa, embora Deus não seja surpreendido por nada. Você foi concebido na mente de Deus antes de chegar ao ventre da sua mãe. É fruto das nossas orações. Desejamos sua vinda. Pedimos a Deus que fizesse um milagre em nosso organismo; e ele o fez! Por isso, queremos cuidar de você com toda a dedicação e atenção necessárias, de modo que você compreenda que nasceu para a glória de Deus e deve fazer de tudo para honrá-lo. Não há motivo maior para sua chegada a este mundo tão desafiador. Viva para a glória de Deus, o Criador da vida.
Eu amo você com todo meu coração. Almejo ver o seu rosto, delinear seus cabelos e memorizar suas feições. Nutrirei sua mente com as Escrituras e seu coração com minhas orações a Deus. Serei um exemplo de hombridade e pedirei perdão, sempre que for necessário. Por favor, querido filho, lembre-me disso. Certamente precisarei.
Hoje, dia 15/07/2013, inauguro uma nova fase em nossa família. É a etapa em que você chega e muda os desfechos. A parte do espetáculo em que você promove festa e alegria. É o cenário em que faremos tudo e decidiremos sobre todas as coisas, pensando em você. Será difícil, mas Deus nunca nos deu uma dádiva que não fosse possível administrar. Por isso, cremos que o Senhor, que o teceu dentro do ventre de sua mãe, dará todas as condições necessárias para conduzi-lo no Caminho da vida eterna.
Seja bem vindo!
Amo você!

Thiago Gigo Pereira, papai

20 de junho de 2013

Revolta dos 20 centavos. Bariri, 20 de Junho de 2013

“A justiça engrandece a nação, mas o pecado é uma vergonha para qualquer povo”. Provérbios 14:34

Irei para a rua. Fique tranqüilo! Não será para lançar bombas, pedras ou paus. Tampouco para depredar o patrimônio público, atear fogo em carros ou enfrentar as autoridades policiais. Isso é assunto para vândalos, oportunistas em manifestações ou extremistas partidários. Minhas motivações são outras. Estão alinhadas com a pauta nacional neste momento histórico: educação de qualidade, saúde, segurança, combate a corrupção, investimento em transporte de qualidade; reformas tributária, política e judiciária. Como cidadão, tenho o dever de fazer coro com a nação sedenta por justiça. As “pedras” estão clamando, porque a “luz” não saiu debaixo da mesa e o “sal” permaneceu dentro do saleiro.
Cansei de protestar apenas do púlpito. Quero manifestar minhas aspirações nas redes sociais, nas ruas ou em qualquer coisa que funcione como um megafone para os ouvidos surdos dos governantes. Enfadei-me – e muitos de nós - por berrar sozinho, por isso, faço coro com a multidão que clama por justiça social. É lamentável ver muitos cristãos apáticos, expectadores indiferentes e muitos críticos daqueles que saem às ruas para protestar, como se isso não fosse parte do comportamento cristão. Lembremo-nos de Jerônimo Savonarola, Lutero (desencadeadores da reforma protestante no Séc XVI, dentre outros), além de John Knox, na Escócia. Rememoremos as conquistas feéricas do pastor revolucionário Martin Luther King, Jr pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Voltemos os nossos olhos para a história e percebamos que a igreja de Cristo realizou coisas mais relevantes que uma marcha para Jesus ou um showzinho gospel.
Eu protesto! Não pode ser apenas pelo passe livre, embora seja importante. Há questões prioritárias para pautar: EDUCAÇÃO, saúde, gastos com entretenimento (Copa) em detrimento das necessidades elementares nas políticas públicas. Também bradarei contra os gastos públicos abusivos (118 milhões) com a vinda do Papa ao Brasil – Uma Pausa:   E o laicismo do Estado? Já não bastam nossos índios, terras e o ouro suprimidos no Brasil colônia e agora querem levar o nosso real? - Retomando. Sobretudo, além de vários outros motivos, protestarei por uma igreja mais participativa, arrependida, testemunha do caráter de Cristo na terra. Clamarei contra a venda das indulgências neopentecostais do evangelicalismo moderno, o péssimo testemunho de muitos pastores e líderes na sociedade. Protestarei contra o jeitinho brasileiro e a mania de ganhar vantagem em tudo. Bradarei por ordem e progresso, dentro e fora da igreja.
Jesus não precisa de pés marchando por nada, mas admira joelhos dobrados por justiça. Ele asseverou que os que têm fome e sede de justiça são felizes, portanto, serão fartos (Mt 5:6).  Onde estão os pastores com sua notoriedade pública, homens e mulheres vociferando os valores do Evangelho de Jesus? Onde estão os profetas revolucionários do nosso tempo, tal como foram Jeremias, Oséias e João Batista gritando pelo arrependimento da nação? Como igreja, somos mais parecidos com Jonas, voltando-nos para Tarsis (zona de conforto) contrariando a ordem divina de ir para Nínive (linha de frente).
Hei você, cristão! Que se diz protestante, mas não protesta nada. O primeiro protesto deve ser contra si mesmo, como disse o pastor revolucionário Dietrich Bonhoeffer: "Protestantismo não é o protesto da igreja contra o mundo, mas o protesto de Deus contra nós mesmos: 'tenho, porém, contra ti'". Avalie sua conduta como cidadão do Reino. Seu testemunho diante das pessoas. Seja sal fora do saleiro e luz que irradia. Sua conduta no ambiente secular grita mais alto que muitas palavras.  Enfim...
É o início da “primavera brasileira”. Não é privilégio dos países árabes, tampouco das ditaduras, já destronadas na primavera árabe. Ai dos mandatários, partidos e governos que desdenham do potencial efervescente das mobilizações de base. Vivemos um novo Brasil, com novas portas que se abrem e outras que ora se fecham. E a igreja, o que dirá? Qual resposta virá da agência do Reino, representante dos valores supraculturais do Evangelho e embaixadora dos valores éticos cristãos? Qual a relevância dos cristãos, a mobilização e a postura ante a corrupção e as truculentas ações repressivas dos governos? Sua voz será interrompida pelo moralismo da opinião alheia ou ecoará um brado santo que clama por justiça? #vempraruabariri

Thiago Gigo Pereira