7 de abril de 2012

Missões, a tarefa prioritária da igreja - 2ª parte

Ilustração: Certa vez um irmão chinês, depois de haver conhecido a Jesus através de Hudson Taylor, disse: - Hoje tenho Jesus e tenho paz verdadeira em meu coração. Há quanto tempo seu povo conhece o Evangelho?” -“Há mais de 100 anos”, disse Taylor. -“E por que só foram nos falar do Evangelho agora? Tantos já morreram sem conhecer. Vocês deveriam ter vindo antes ou então enviado alguém!” 

OUTRA RAZÃO PELA QUAL FAZER MISSÕES É A TAREFA PRIORITÁRIA DA IGREJA: PORQUE GLORIFICA A DEUS.
Você já parou para pensar, sobre o porquê nos reunimos sempre para cultuar a Deus no ajuntamento público? A resposta é simples: porque fomos criados para a Glória de Deus. O objetivo do Diabo, como força maligna que se opõe a vontade do Criador, é tirar o ser humano desse propósito: a glória de Deus. Precisamos ser apaixonados por ela. O Catecismo Menor de Westminster, afirma o seguinte: “O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”. 
            A igreja glorifica a Deus quando prega o evangelho, desde o vizinho até os confins da terra. O Evangelho de Mateus 13:38 deixa claro que “o campo é o mundo”. Se a igreja perder a convicção de que ela é semente jogada no mundo para crescer e gerar frutos (vidas), para a glória de Deus, então deixará de ser igreja.
            Em Apocalipse 5 João vê um lindo culto ao Cordeiro Ressurreto, em que Cristo é glorificado. Esse culto pleno, formado por gente de todo povo, raça, tribo, língua e nação, será cósmico e multicultural. Isso agrada e glorifica a Deus!

SE MISSÕES É A TAREFA PRIORITÁRIA DA IGREJA ENTÃO VOCÊ É UM MISSIONÁRIO     
            O pastor revolucionário Martin Luther King asseverou: “Quem não tem uma causa pela qual morrer não tem motivo para viver”. Não importa qual seja sua profissão ou ocupação. Em qualquer lugar você pode exercer um ministério bivocacionado,  servir a Deus e anunciar o Evangelho entre os amigos, vizinhos, colegas de trabalho e de estudo, enfim, aqueles não conhecem o Evangelho. Essas pessoas podem ter ouvido falar de apresentações sincréticas e místicas do Evangelho, porém elas precisam ter um encontro real com Jesus e de uma apresentação honesta e profunda do Evangelho. Ele é o teu próximo e Deus pedirá contas disso. Li uma postagem numa rede social recentemente: “O fato de você ter um piano em casa não faz de você um pianista, assim como o fato de você ir a igreja, não faz de você um cristão”. Todo cristão é um missionário e isso precisa estar claro em nossas mentes.
           Gosto do nosso lema: “fazendo discípulos no Reino de Deus” (slogan da igreja que pastoreio – www.ipibariri.com.br). Afinal, fazer missões não significa dar porções do Evangelho ou demonstrações minúsculas sobre os planos de Deus. Ao contrário, significa plantar uma semente (o Evangelho) e regá-la arduamente para que amadureça e produza frutos para a Glória do Pai; ou seja, além de pregar precisamos ensinar e discipular -  Mt 28:18-20.
           Concluindo, fazer discípulos (seguidores de Jesus) não é prerrogativa dos missionários ou pastores. Todo cristão foi responsabilizado por Jesus Cristo e Ele nos pedirá contas quando voltar – Mt 24:14. Não é tarefa exclusiva dos que partem para outras nações. Precisamos anunciar o Evangelho (e para isso devemos conhecê-lo) desde “Jerusalém (...) e até os confins da terra”. Desde o meu vizinho, até o mundo; dos guetos marginalizados às elites dominantes - Atos 1:8.
            Para que a glória de Deus se espalhe pela terra, eu preciso ir. Oswald Smith disse: “Você deve ir ou enviar um substituto”. Se não estou disposto a isso, devo então incentivar, orar ou contribuir por quem vai em meu lugar anunciar o Evangelho. Assim serei coparticipante na construção do Reino e na expansão da luz entre as trevas, para a Glória de Deus.

5 de abril de 2012

Carisma e o caráter: entre o ser e o parecer


Foi-se o tempo em que "Ser" era o bastante”[1]. “Ser” ou “Ter” não são objetos de busca pela sociedade atual. É o “parecer” que está em evidência. Há muitos que não se preocupam mais com a integridade, idoneidade ou caráter do “Ser”; Existe outros que não se importam mais com a busca frenética por “Ter”, embora vivamos no ápice cultural do materialismo que vem perdendo espaço para o exibicionismo. Preocupam-se, entretanto, com a aparência, a casca, o rótulo, a exterioridade; de modo que as pessoas não acharam a felicidade hedonista garimpada nos bens materiais e futilidades para preencherem seus vazios emocionais. Tampouco se interessaram pelo interior, pelo conteúdo ou pela natureza do caráter. E essa reflexão introdutória nos leva ao entendimento de que a igreja atual, sobretudo os líderes, acabam vivendo de aparência e satisfazendo essa cruel realidade da sociedade teatral.  Vivemos num tempo em que a admiração pelo carisma[2] triunfa sobre o caráter. E que a imagem tornou-se mais importante que o produto; a figura mais valorizada que a substância; a forma  mais admirada que o conteúdo, visto que “Ser” já não é o bastante, “Ter” já saiu de moda ou apenas serve para sustentar que o importante é viver de aparência.
               Jesus asseverou: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus”- Mt 5:8. Não são poucos os textos onde Jesus condena a vivência da fé como mecanismo de autopropaganda: “E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.” (grifo meu) Mt 6:5.
               Em João 3 Jesus deixou claro para Nicodemos que ele precisaria nascer de novo, pois vivia uma religiosidade aparente e desconectada com o Reino. Nicodemos era clericalmente exemplar, possuía status e aparência religiosa v. 1. Todavia era homem que vivia de aparência e não poderia deixar de admirar apenas o que motivava sua consciência, pois a “boca fala do que o coração está cheio”. Então Nicodemos admira Jesus, mas não o segue. Seu compromisso com o Salvador se dá na calada da noite (v.2), pois quem se preocupa com a aparência não quer ser visto como seguidor do homem da periferia, da Galiléia: “Outros diziam: Este é o Cristo; mas outros replicavam: Vem, pois, o Cristo da Galiléia?” Jo 7:41  Então Jesus ensina àquele homem que sua religião não bastava, pois de nada adiantava parecer e não ser discípulo. Ensina-o a nascer de dentro pra fora, pois quando a experiência de fé acontece apenas de fora pra dentro o conteúdo do caráter não é alterado, mas apenas as personificações e performances exteriores do carisma.
               Gente que vive de aparência é hipócrita, engana-se a si mesma e não passa de atriz e ator da fé. O burocrata quer ficar bem diante das pessoas. É fariseu, politicamente correto. Tal como Nicodemos que admira a autoridade de Jesus, todavia não se sujeita a ela. É capaz de fazer declarações fantásticas sobre Jesus, mas não tem compromisso algum com o Mestre. Nosso testemunho diário com Jesus, portanto, deve surgir das experiências autênticas que ocorreram no interior do coração e não das pressões sociais que nos empurram para a religiosidade estéril. Deve, antes, nascer do nosso relacionamento com Deus no quarto secreto de oração e não das exigências impostas pela sociedade da religiosidade publicitária.
               A falta de honestidade, a inconstância, a inadimplência e a superficialidade (dentre outras aberrações) dos evangélicos no cotidiano da vida secular são repulsivas. Não é possível recolher as mãos para pagar impostos e estendê-las para orar. Erguer a voz para adorar no ajuntamento para o culto e estancá-la para denunciar o pecado e a injustiça. Orar em público para Deus e deixar de adorar no secreto. Parecer e não ser. Tudo isso é vaidade e engano. E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.” - Tg 1:22. Afinal, a vida do cristão nos bastidores é tão formidável quanto no palco da vida ou no exercício da fé.
                Nem tudo é o que parece. Jesus afirmou corajosamente que os fariseus religiosos eram como “sepulcros caiados (pintados)”, bonitos por fora e podres por dentro (Mt 23:27). Como líderes, cristãos e servos de Jesus Cristo não podemos aceitar que a cultura do carisma em detrimento do caráter prevaleça como estilo de vida. E que a aparência seja confundida erroneamente como essência. É possível haver uma coerência entre carisma e caráter, desde que sigamos o exemplo de Jesus; isso não significará ser necessariamente popular (Jo 6:60-67), mas íntegro e verdadeiro diante de Deus. E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens”. Lc 2:52           
            

[1] Referência ao livro título do livro do pastor Carlos Queiroz, “Ser é o Bastante” publicado pela editora Ultimato. Neste livro o autor faz uma bela exposição das bem aventuranças de Mt 5:1-12.
[2] Carisma aqui não é utilizado no sentido teológico, carisma = dom ou variante do grego Káris que significa graça. Carisma aqui se refere ao pensamento do indivíduo carismático, simpático, politicamente correto e num sentido pejorativo. Que vive para agradar os outros e não a Deus.