6 de novembro de 2012

Lenços que curam?



A fiel Ana Maria Lima do Nascimento (foto), 41, afirmou que se curou do vício da bebida e do cigarro graças a um suposto milagre da Igreja Mundial do Poder de Deus. “Cortei a toalhinha ‘Sê Tu Uma Benção’, peguei um pedaço dela e comi”, contou ela, conforme seu testemunho publicado no site da igreja.
A toalhinha é vendida pela Igreja Mundial aos fiéis para que eles enxuguem o suor do apóstolo Valdemiro Santigo e levem para casa” Fonte: Gnotícias

Você já esteve diante de um questionamento sobre as pessoas que argumentam a necessidade da “toalhinha do apóstolo”? Já encontrou pessoas fazendo caravanas para lugares específicos a fim de encontrar tal “pastor” que faz milagres “abençoando” seus lenços?
Em resposta a uma dúvida que também pode ser a sua. O que fazer e como argumentar àquelas pessoas que se apegam ao “pregador da toalhinha” e utilizam como fundamento Atos 19:12 e ainda outros versos?

“de sorte que lenços e aventais eram levados do seu corpo aos enfermos, e as doenças os deixavam e saíam deles os espíritos malignos."

Antes de responder a essa questão, prefiro deixar alguns pressupostos como pano de fundo para a interpretação desse texto:

*Sem entrar em discussão aprofundada sobre a etimologia da palavra apóstolos e suas derivações.

1º Vivemos numa sociedade que tem suas raízes religiosas na pajelança, ritos africanos, catolicismo romano e muito sincretismo religioso, eivado de misticismos, símbolos e representações visuais (tais como as simpatias tão estimadas por brasileiros). Ou seja, nosso povo historicamente tem um "pezinho na macumba";
2º Vivemos numa Era imediatista (quer resultados no culto prazo - espiritualidade instantânea);
3º Vivemos numa atmosfera que supervaloriza a imagem (o importante é parecer, não é ter ou ser, por isso o apego aos símbolos visuais);
4º Vivemos numa cultura extremamente pragmática (o importante é o que funciona, não o que é correto);

Portanto, quando as pessoas leem as Escrituras, o fazem com esses pressupostos embutidos em sua cosmovisão. Isso tudo explicaria, sociologicamente o apego ao paninho, rosas e sabonetes. Os “feiticeiros” evangélicos se aproveitam desses caminhos para fomentar práticas místicas que coloquem o cristão em contato com o sagrado, mas geralmente não pregam as Escrituras – como o diabo, eles fazem uso dela. Mt 4:1-11
O primeiro argumento além dos pressupostos acima, deve ser sobre o ministério apostólico. Segundo Warren Wiersbe:

"Ao longo da história bíblica, encontramos três períodos especiais de milagres: (1) o tempo de Moisés; (2) o tempo de Elias e de Eliseu; e (3) o tempo de Jesus e de seus apóstolos. Cada um desses períodos durou menos de cem anos, e é evidente que nem todos os milagres foram registrados (ver Jo 20:30, 31)". 
Muitos milagres realizados POR DEUS através dos apóstolos foram circunstanciais, a fim de autenticar o ministério apostólico diante da comunidade primitiva. Para alguém ser apóstolo (o que não é o caso dos camaradas que reivindicam essa prerrogativa) era necessário ter uma experiência visual e relacional com o Senhor Jesus, ser chamado exclusivamente para este ofício e apresentar o ministério apostólico à sociedade daquele tempo através de milagres e maravilhas. Jesus só fez milagres para mostrar que era o Messias prometido nas Escrituras (embora não tenha curado a todos, como prometem os "curandeiros" evangélicos.) e para glorificar o Pai. Os apóstolos os realizaram, porque Deus desejou fazê-lo naquelas circunstâncias a fim de provar o ministério apostólico diante da sociedade.

Leiamos Atos 19:11-12:
"11 E DEUS pelas mãos de Paulo fazia milagres extraordinários, de sorte que lenços e aventais eram levados do seu corpo aos enfermos, e as doenças os deixavam e saíam deles os espíritos malignos."

Veja que o texto acima afirma que Deus e não o apóstolo fazia milagres. Também, isso autentica o ministério apostólico de Paulo para os irmãos daqueles dias e para os nossos também.
Eu pessoalmente não tenho dúvidas de que Deus possa realizar o mesmo hoje em dia, ou seja, curar de vários modos diferentes (mas isso seria uma experiência pessoal de alguém e não uma prática coletiva). Todavia, não podemos fazer uma doutrina, prática litúrgica ou sistematizar uma receita de milagres a partir de alguns versículos isolados de seu contexto e propósito.

Também a prática de adicionar símbolos visuais em curas faz mais mal do que bem, visto que a Fé não depende dos elementos materiais, Hb 11. Isso vale para o copo com água, lenços e outras representações místicas. No máximo, a Bíblia autoriza o uso do óleo (Tiago 5:14ss), que não faz nada além de representar a unção, escolha de Deus. É a oração da fé que cura o enfermo, na autoridade de Jesus Cristo e não o óleo - que dirá o pano? Além disso, esta salvação do enfermo acompanhada pela confissão de pecados (tal prática não é comum nos cultos neopentecostais que utilizam o “paninho da cura”).

Não é aconselhável incentivar o uso do “lenço mágico” em nossos dias, pois, isso ofusca a glória de Deus e a mediação de Jesus Cristo, nosso Sumo Sacerdote que é a "ponte" para as nossas orações. Isso bastaria! Portanto, não vejo possibilidades de resolver essas questões senão com estudo da Palavra e discipulado. A conscientização bíblica fará o restante. Como disse Lutero: "Eu não fiz nada, a Palavra fez tudo".

As pessoas que se apegam ao "apóstolo da toalhinha" precisam ser ensinadas a discernir a cultura (Rm 12:2) e verificar os malefícios que a religiosidade brasileira trouxe à interpretação do Evangelho. Por fim, o que precisamos fazer com mais profundidade e excelência hoje em dia é: "prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino." II Timóteo 4.2
Não vejo outro caminho para nossa vulnerável teologia evangélica brasileira senão o discipulado.
No amor Daquele que não confunde.

30 de outubro de 2012

Que amor é esse? O Pai pródigo. Lc 15:11-32



“Deus deixa depressa sua ira, mas nunca se arrepende do seu amor.” C. H. Spurgeon

Deus ama você! Quem ama aprende a oferecer. Deus deu; e deu de si mesmo enviando seu único filho para morrer na cruz. Ele entregou tudo de si para o sofrimento mais cruel de todos os tempos: a crucificação. Jesus foi crucificado porque Deus nos amou, quando estávamos mortos em nossos delitos e pecados. Deu-nos vida em Jesus Cristo (Efésios 2).

Leia a primeira carta de João 4:8. Você chegará a conclusão de que Deus é amor! Ama-nos com o amor ágape e profundo; amor entregue e verdadeiro.  B. Manning, no livro “O obstinado amor de Deus”, já dizia:

"Nenhum pensamento o pode conter; nenhum vocábulo o pode exprimir Ele está além de tudo o que possamos racionalizar ou imaginar."

Deus lhe ama mesmo que o rejeite – porque ele ama o mundo. Seu amor é cósmico, sem distinção e é abundante. E mesmo que um dia você o tenha rejeitado, ele criou meios para atraí-lo (Jr 31:2). Deus lhe ama muito!

O amor de Deus não é como o nosso. Amamos até certo ponto. Quando as pessoas nos machucam, deixamos de amar. Quando somos rejeitados, interrompemos as afeições de amor. Criamos bloqueios no relacionamento, porque nosso amor pelas pessoas vai até um limite específico. O amor de Deus não! Seu amor por nós é ilimitado. Erramos, “pisamos na bola” todos os dias, ofendemos sua glória presente em nós pelo Espírito Santo e nem sempre fazemos o que Ele deseja. Mesmo assim, Ele nos ama prodigamente. 

Conforme assevera Philip Yancei, em seu livro Maravilhosa Graça:

“Não há nada que possamos fazer para Deus nos amar mais, e não há nada que possamos fazer para Deus nos amar menos”

Esta reflexão está baseada no Evangelho segundo Lucas: o Evangelho da economia de Deus. O Evangelho das perdas e ganhos. O Evangelho das coisas perdidas e encontradas. O Capítulo 15, sem dúvida, é principal neste assunto. É o capítulo da ovelha perdida, do dinheiro perdido e do filho perdido. Leia-o atentamente, de maneira contemplativa e meditativa.

 “A mensagem deste capítulo pode ser resumida em três palavras: perdido, encontrado alegria. Jesus usou essas parábolas para refutar as acusações de escribas e fariseus escandalizados com seu comportamento. Já era problemático Jesus receber de braços abertos esses marginalizados e ensiná-los, mas chegava ao cúmulo de comer com eles! Os líderes religiosos judeus não haviam entendido que o ‘Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido’ (Lc 19:10). Mais do que isso, não conseguiam enxergar que eles próprios estavam entre os perdidos”. (Warren Wiersbe, 2007)

Jesus ensinava através das parábolas. Um recurso retórico muito comum em seus dias. Sem dúvida nenhuma a parábola do filho pródigo é a mais conhecida do Novo Testamento. Ela possui cinco personagens: O Pai que representa o Deus da Graça; O filho rebelde que representa o pecador arrependido; o filho mais velho que representa o povo de Israel que possuía a tradição judaica; O criado que dá o relatório ao filho mais velho no verso 27 e o patrão a quem o filho rebelde se agregou. V. 15.

Eu discordo que esta parábola deve levar o título de “Filho Pródigo”. Ele deveria se chamar “O Pai Pródigo”. Um título deveria resumir o sentido do texto. Mas o título deste texto não faz parte do manuscrito sagrado original, portanto é melhor conhecer este texto como a mensagem do amor do Pai. Prefiro entender que ele fala do Amor de Deus, que é pródigo, esbanjador e generoso. Deus é pródigo! Deus é esbanjador! “Deus é exagerado para nós” – Rev . Atílio Fernandes (In memorian).

Pródigo segundo dicionário Aurélio, significa: “1- Que despende com excesso; dissipador, esbanjador. 2- Que dá, distribui, faz ou emprega profusamente e sem dificuldade; 3 - Generoso, liberal”. – assim é a forma como Deus ama.

 Aprendemos algumas lições com este texto:

Primeiramente, o amor do Pai é Pródigo porque permite que o filho cometa erros. Vv. 12-19
12 O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres.
13 Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.
14 E, havendo ele dissipado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades.
15 Então foi encontrar-se a um dos cidadãos daquele país, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos.
16 E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada.
17 Caindo, porém, em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!
18 Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e diante de ti;
19 já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados.

Vivemos dias que a geração Z (os que nasceram na metade da década de 90) clama por limites. São superprotegidos. É uma geração mimada e que não ouve um NÃO dos pais. Por exemplo, os pais que não deixam a criança brincar ou correr porque sabem que cairão e talvez se machuquem.
O pai da parábola faz diferente. Ele sabe educar e demonstra sabedoria ao expor o filho ao erro, à queda. Ele não o protege das suas decisões, nem mesmo das consequências. Embora o pai soubesse que o filho cometeria erros (pois conhecia seu temperamento e tendências de conduta), mesmo assim não o priva do sofrimento vindouro. O Pai, conhecendo sua imaturidade prepara o cenário do perdão!
Da mesma forma é Deus quem prepara o roteiro da nossa salvação. A nossa conversão a Jesus é iniciativa dEle e não nossa (Ef 2:8). Ele nos permite errar para que percebamos nossa fragilidade e que nosso lugar é Nele (Nele nos movemos, vivemos e existimos ...). O Pai nos ajuda a compreender que nossas decisões, muitas vezes, são precipitadas e então nos permite cair no erro. Afinal, o amor autêntico disciplina (Hb 12). Robert Horn afirmou à respeito do amor de Deus:

“O amor de Deus é sempre sobrenatural, sempre um milagre, sempre a última coisa que poderíamos merecer”.

E ele nos ama inclusive permitindo que comamos do “fruto proibido”. Seu amor não é cego! Ele nos ama porque permite que cometamos erros – é um amor paciente e longânimo, mas também disciplinador e que impõe limites.

O Pai desta parábola é a imagem do coração de Deus! Vejamos os fatos ocorridos na parábola:

1 Disse-lhe mais: Certo homem tinha dois filhos.
12 O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres.
13 Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.

No verso 13 – O garoto toma uma atitude precipitada e deseja gastar a herança do Pai. “O menino está determinado a fazer do seu jeito. Então, finalmente, o pai lhe dá sua parte da propriedade, e o menino reúne todos os seus bens e toma seu caminho. No começo, ele tem certeza de que ele fez a coisa certa. Ele aluga uma casa com uma excelente vista e o faz com gosto. Começa a fazer amigos em toda parte, de ambos os sexos. Ele gasta dinheiro com uma mão generosa, e tenta tudo e qualquer coisa, especialmente aquelas coisas que haviam sido proibidos ele”. (Ray Stedman)
Até que o garoto perdido se vê no chiqueiro com os porcos, pois havia perdido toda a herança do Pai.

No chiqueiro, com uma bolsa vazia e uma barriga vazia, ele começa a fazer um balanço de sua vida vazia”. (Ray Stedman)

A atitude do filho é a busca pela liberdade! O filho perdido declararia: "Para mim liberdade significa poder fazer o que eu quero fazer" - e o pai calmamente responderia: "para mim a liberdade significa que você deve tornar-se o que você deveria ser”. Não é assim que acontece com muitas pessoas? Querem uma suposta liberdade para fazer as coisas do seu jeito e “quebram a cara”?  

Há ainda uma segunda razão pela qual o amor de Deus é esbanjador e além da nossa compreensão moral:

O amor do Pai é pródigo porque não é baseado no merecimento. Vv. 20-22

Geralmente, amamos quando somos amados. É difícil amar quando somos rejeitados. Se você que é pai tivesse um filho que o trocasse por dinheiro e liberdade, como lidaria com o sentimento de rejeição? Fazemos isso com Deus. Trocamos sua presença por futilidades e uma suposta “liberdade”, como fez aquele filho rebelde. O Pai, no entanto, o vê, se compadece, corre em sua direção o abraça e beija (v. 20b).

“Deus ama a cada um dos seus como se houvesse apenas um deles para amar”. J. Blanchard

Amor relacional e individual. – Deus nos ama não porque nos vê como massa e multidão; não vê o coletivo. Enxerga-nos individualmente e nos oferece uma identidade. Somos filhos, cada um com um nome e uma identidade específica. Ele tem compaixão de nós, corre em nossa direção o tempo todo, buscando-nos em nossa perdição – nos dá o seu abraço de misericórdia e um beijo de afeição!
“Levantou-se, pois, e foi para seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou”. V. 20

Veja que a confissão do Filho não é baseada no merecimento. V. 21

“Disse-lhe o filho: Pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho”.

O menino havia perdido o direito de ser filho quando pediu a herança, segundo o costume daquele tempo. Isso significa que ele foi até o pai sem se justificar e sem argumento algum para requerer sua filiação. Os que se achegam a Cristo, vão da mesma maneira – injustificáveis (Rm 5:1).
Perceba ainda, o amor do Pai revelado no texto:

O “porém” do Pai. “O pai porém”, diz o texto. V.22

“O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés”

A conjunção adversativa indica que há uma interrupção no texto. O Pai poderia recebê-lo como um escravo, castigá-lo, humilhá-lo, dar-lhe uma lição moralista, uma punição severa ou declarar toda a raiva acumulada com a rejeição do filho – não! O Pai, porém, o honrou como um filho legítimo. Ofereceu-lhe:
  • Melhor roupa: Sinal de filiação (os escravos e empregados não utilizavam a melhor roupa).
  • Um anel no dedo: como sinal de autoridade (digno de um proprietário).
  • Sandálias nos pés: sinal de honra (os escravos não utilizavam sandálias).
  • Um novilho cevado: Sinal de celebração (somente para um convidado especial).

 “Se o rapaz tivesse sido tratado de acordo com a lei, teria havido um funeral, não um banquete”, assevera o biblista Warren Wiersbe.

Veja como Deus lhe ama! Você chega sujo e maltrapilho e ele o trata como um príncipe. Você e eu sabemos que somos rebeldes. “Todos pecaram e estão separados da Glória de Deus” (Rm 3:23).Temos no fundo do nosso coração um desejo de seguir o nosso próprio caminho e esbanjar a saúde, riqueza e o tempo que temos nas coisas do mundo. Quantas vezes Deus nos curou e nos recebeu de volta sem uma palavra de condenação? Quando chegamos a Ele, dizendo: "Pai, não somos dignos de sermos seus filhos”, ele responde com um abraço envolvente e esbanjador.

Ou seremos escravos de um mestre ou filhos de outro. Você pode chegar até Jesus hoje e dizer: “Pai, eu estraguei tudo e não sei como concertar meu erro. Ajuda-me.” O Pai o ajudará, porque o seu amor é pródigo, pois não se baseia no merecimento ou na autojustificação humana. 

Concluímos ainda uma terceira preciosa lição extraída dessas verdades:

O Amor do Pai é pródigo porque procura conciliar até os “filhos mais velhos”. V. 28b

“Mas ele se indignou e não queria entrar. Saiu então o pai e instava com ele.”

Os filhos mais velhos, aqui na parábola, são como os Fariseus nos dias de Jesus. Hoje são os cristãos acomodados num cristianismo egoísta e moralista. Falta amor para os “filhos mais velhos” do cristianismo. Há muitos que vivem a vida cristã há décadas sem evangelizar e pregar aos perdidos. Warrem Wiersbe comenta ainda sobre este texto:

“É bastante sugestivo que Jesus atraía pecadores, enquanto os fariseus os repeliam (o que isso revela sobre as igrejas de hoje?). Os pecadores procuravam Jesus não porque fazia o que queriam ou porque dizia o que gostavam de ouvir, mas porque cuidava deles. Entendia suas necessidades e procurava ajudá-los, enquanto os fariseus os criticavam e se mantinham distantes (ver Lc 18:9-14). Os fariseus tinham conhecimento da Lei do Antigo Testamento e desejo de manter pureza pessoal, no entanto, não tinham amor pelas almas perdidas”.

O filho mais velho tinha um comportamento irrepreensível. Trabalhava arduamente, obedecia a seu pai, não envergonhou sua casa nem sua família. No entanto, obediência e diligência não são únicas provas de caráter. Ele quebrou os dois mandamentos fundamentais: amar a Deus e ao próximo. Não conseguia perdoar seu próprio irmão (v. 28) – Se encheu de raiva pelo irmão e pelo pai.

O irmão mais velho representa os religiosos que observam o exterior, mas não enxergam o interior das pessoas. Tal como o profeta Jonas, o irmão mais velho fazia a vontade de Deus, mas não de coração (Jn 4). Para o filho mais velho, o filho perdido representava uma ameaça à sua posição de “filho obediente”. Ele conseguia conversar amigavelmente com um servo, mas não o fazia com seu Pai e seu irmão. Portanto ele representava os Fariseus, que baseavam sua salvação nas boas obras e se consideravam injusto que Jesus pudesse perdoar e aceitar pecadores. Jesus, aqui, dá uma lição nos religiosos.
"Eu nunca perdoo!", disse o general Oglethorpe a John Wesley, o qual, por sua vez, respondeu: "Então, senhor, espero que nunca peques".

Lembremo-nos da citação do poeta George Heberth:
“Aquele que não perdoa, destrói a ponte por onde ele mesmo tem de passar”.

Será mesmo que a religiosidade humana pode se tornar ferramenta exclusivista para banir o perdido da graça? Este texto nos ensina que isso acontece desde os tempos antigos. Portanto, preciso anunciar o amor de Deus aos filhos “mais velhos” (os que já fazem parte das estruturas da fé) e aos “filhos perdidos” (os que mesmo sendo chamados, esbanjam suas vidas no mundo). Veja como o amor de Deus é pródigo, esbanjador e imensurável.

Deus é o pai que correu ao encontro do filho perdido quando este chegou em casa manquejando. Deus chora por nós quando a vergonha e o ódio de nós próprios nos paralisam. Deus nos ama como realmente somos: quer gostemos disso, quer não; e nos chama, como chamou a Adão, para sairmos de nosso “esconderijo seguro”. Portanto ...

a) Se você é representado pelo filho perdido
     
Caia em si - v. 17 “tendo caído em si”
Talvez, hoje, seja necessário você olhar para dentro de si. Perceba sua miséria, fragilidade e pequenez. Discirna sua autoincapacidade de se salvar e que seus impulsos o levarão para o prejudicarão. Discirna suas decisões precipitadas, seus erros e planeje sua mudança.
Planeje mudar - v. 18 “levantar-me-ei”
Hoje é dia de mudança. É dia de perceber que o pai lhe ama. O Pai tem um amor esbanjador. O pai pródigo quer um acordo com você. Um relacionamento baseado na graça. Você vem a até Ele sem nenhuma justificativa, sem qualquer sentimento meritório e ele responde com a aceitação e perdão. Mais que isso: Deus lhe honra com galardões inesperáveis e surpreendentes, Vv. 22-23.
Não viva pela culpa, mas pelo amor!

 b) Se você é representado pelo filho mais velho, vv. 25-30

Não seja pedra de tropeço para os pequeninos do Reino. Jesus asseverou que é melhor amarrar uma rocha no pescoço e se atirar no oceano, que ser motivo de escândalo para o perdido, Mt 18:6. Não seja obstáculo para a entrada dos arrependidos no Reino. Pare de viver do passado e aproveite a festa! Como escreveu B. Manning:

"Venha para a Festa! Quando os fariseus saem de cena e os perdidos chegam, é tempo de celebração do amor de Deus! 

"Fé é a coragem de aceitar ser aceito."

Finalmente, os patrões agregadores estão por aí, oferecendo falsa ajuda, v. 15. Ninguém que queira ajudar irá mandá-lo guardar porcos (representavam impureza no judaísmo). Ou seja, ninguém que queira seu bem lhe oferecerá vícios, luxúria, maus conselhos e propostas ilícitas. Olhe para o Pai de Amor! Quero convidá-lo para uma história de reconciliação com o Pai. Ele talvez lhe diga hoje: “não importa como você começa, e sim como termina a vida. Eu o escolhi antes da fundação do universo e você é meu filho. Nada o separará do meu amor esbanjador por você!”

18 de setembro de 2012

Constatações e propostas para missões transculcurais


Quando refletimos sobre missões, precisamos evitar grosserias, argumentos tendenciosos, radicalismos e interpretações equivocadas. Deste modo, anseio ser compreendido nesta reflexão. Meu desejo é lançar luz sobre algumas questões e enuclear algumas considerações sobre a tarefa missionária da igreja. Precisamos constatar os valores e as atuações que balizam a igreja de Cristo, falo sobretudo da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Muitas igrejas não avançam (creio) porque têm problemas profundos na questão dos valores missionários e eclesiológicos. A falta de uma visão clara e uniforme sobre a missão e a natureza da igreja pode destoar a caricatura da IPIB, por exemplo. Perdemos aos poucos o fervor missionário que fez a “igrejinha dos milagres” se expandir pelo Brasil no início. Preocupo-me, sobretudo com a questão do nacionalismo missiológico, visão equivocada que afirma que a prioridade da ação da igreja é o raio geográfico onde ela está implantada, ou o Brasil – em nosso caso. Reconheço que como jovem pastor e que possui pouca experiência frente a tantos admiráveis ministros da nossa denominação (e que podem escrever com mais propriedade sobre o assunto), é preciso fazer estes apontamentos despido de qualquer presunção que se assenhoreia da verdade absoluta e irrefutável. Ficarei feliz se este texto gerar reflexão, discussão e ação.

- É preciso tomar cuidado com a leitura radicalmente nacionalista da missão – Não há fundamento bíblico para assegurar que a missão transcultural é menos importante que a nacional. Não podemos fazer uma sem a outra, pois não há base na teologia bíblica para alicerçar o desprezo por missões transculturais. Atos 1:8 “E sereis minhas testemunhas ...” deve ser lido através de uma lente holística, ou seja: Jerusalém é importante (epicentro da missão centrífuga), bem como a Judéia e Samaria e os Confins da Terra, são – numa perspectiva teológica, geográfica, cultural e etnolinguística. Afinal o culto oferecido a Jesus Cristo é multicultural – Ap 5 e 7. Não há espaços para o nacionalismo missiológico na leitura bíblica.

- precisamos aprender com a história que o nacionalismo gera a morte: Israel negligenciou sua missão de ser benção para todas as nações (Gn 12; Sl 57; Sl 96). No NT a igreja era um movimento (At 2); tornou-se um monumento/instituição com a institucionalização da igreja e fusão com o Estado no Século IV. Apesar disso, movimentos paralelos dentro e fora da igreja institucionalizada caminharam na direção missionária e se recusaram fazer uso do cristianismo como instrumento de manipulação das massas, religiosamente marionetadas pelo Estado. A igreja atual precisa, portanto, resgatar o fervor missionário dos primórdios e buscar o amor pelos perdidos evidenciados nos movimentos históricos, tais como no pacto de Lausane, o Pietismo, o Puritanismo e não menos importante, o movimento Moraviano, liderado pelo conde Nicolau Von Zinzendorf. A história confirma que o nacionalismo gera morte, pois a essência do Evangelho é multicultural. Ao consultar o texto do sul africano de David Bosh “Missão Transformadora” nota-se, dentre muitas, a seguinte preocupação: Não podemos nos esquecer de que muitos movimentos missionários na história exportaram o Evangelho, mas também traços culturais, além de modelos eclesiológicos. O continente Africano, por exemplo, sofreu com a influência ocidental/oriental e com a entrada de outras correntes religiosas e culturais. No Brasil não foi diferente, pois recebemos características litúrgicas, traços culturais e maneiras de enxergar missões na Bíblia. O nacionalismo é uma equívoco missiológico, visto que não recebemos essa herança, antes ela é fruto do individualismo tão presente na cultura hipermoderna. As relações das pessoas em nossa cultura baseiam-se mais no hedonismo (busca pelo prazer), individualismo e consumismo e não podemos transportar essas ideologias para a missiologia.

- A missão é de Deus e não pode ser xenofóbica. Xenofobia é pecado, pois o amor de Deus pela humanidade é cósmico e multicultural. Ele “amou o mundo” Jo 3:16. Através dos eventos da revelação, encarnação, redenção (cruz), ressurreição, ascensão, pentecostes e parousia (volta de Jesus Cristo) as Escrituras afirmam a iniciativa divina para alcançar o homem. Se Deus planejou que a igreja fosse agência do Reino para espalhar as boas novas entre os povos, não podemos deixar de nos sujeitar obedientemente à sua vontade Soberana. Desejar o Evangelho apenas ou prioritariamente para o Brasil é um “crime” teológico e histórico. A Missão é integral também no sentido de servir o mundo todo e ser para todas as pessoas, para a Glória de Deus.

- Não se deve confundir assistencialismo com missão – É muito importante valorizar as iniciativas de inclusão social e a diaconia. Todavia, a igreja de Cristo não é autarquia governamental para tapar as brechas irresponsáveis deixadas pelo Estado. Fazer missão é a essência da igreja e se ela deixa de fazê-la, deixa de ser igreja. A missão acontece quando levamos o Evangelho. Afinal, o Evangelho liberta, restaura e salva integralmente todas as conjunturas do ser humano – cremos. O Evangelho restaurou a vida do cego e mendigo Bartimeu (Mc 10: 46-52); Reparou a integridade do rico Zaqueu (Lc 19) e devolveu a dignidade da mulher pega em adultério (Jo 8:1-11). Portanto, o Evangelho e não o assistencialismo, continua restaurando (do grego katartizo, Cl 1:29, Mc 1:19) cada pessoa, como ocorreu comigo, por meio do discipulado cristão. Tive pai alcoólatra, dependente químico, morei em favela, sem água encanada, sem energia elétrica ou saneamento básico e o Evangelho (não o assistencialismo) restaurou todas essas questões através do trabalho do Espírito Santo, mediante as Escrituras em minha consciência. Afinal, não há história trágica que Cristo não possa transformar para a Sua Glória.

- Os equívocos sobre a prática missionária acontecem porque refletimos, frequentemente, mais sobre os programas do que sobre a natureza da igreja.
Refletimos muito sobre revitalização de igrejas, modelos eclesiológicos que funcionaram em determinados contextos, pacotes estratégicos para levar a igreja à expansão numérica e qualitativa, mas não temos dado devida atenção ao tema central da questão que é a natureza da igreja. Ela foi deixada para Glorificar a Deus e cultuá-lo multiculturalmente, amando ao próximo e portanto, fazendo discípulos de todas as etnias. Uma coisa leva à outra: Glorificaremos a Deus se cumprirmos o propósito para o qual fomos criados: Amar a Deus e as pessoas, anunciando o Evangelho sem distinção.

- Enfim a Soberania de Deus não anula nossa responsabilidade como igreja – O apóstolo Paulo tinha o desejo de plantar uma igreja na Espanha (Rm 15:24 e 28) e para isso apresenta suas convicções teológicas na carta aos Romanos. Ela afirma a Eleição, a Soberania de Deus e a importância de Israel no plano salvífico. Entretanto, em Romanos 10:12-15 o maior missionário da história da igreja torna evidente que a Soberania de Deus não anula a responsabilidade humana para anunciar o Evangelho e não torna Israel uma nação exclusiva diante de Deus. Ele deixa exposto para a igreja Romana que a prioridade eram aqueles que nunca ouviram falar do Evangelho!

Qual a proposta para minimizar esses equívocos?
Além das propostas e valores discutidos acima e muitos outros que não poderiam ser explorados neste espaço, precisamos pensar nas estratégias que poderiam ser elaboradas para o desempenho de missões de maneira mais plausível e escriturística. Se nossa tarefa principal como igreja é anunciar o Evangelho, então há algo errado conosco? Temos missionários no exterior, mas a grande maioria está no Brasil. As iniciativas das igrejas locais com uma visão missionária saudável são o remanescente da IPIB que salvará a igreja do congelamento estatístico, em minha opinião. São igrejas que plantam igrejas e também se importam, de fato, com os que nunca ouviram do Evangelho. Muitas já possuem uma Secretaria de Missões interna ou Conselho Missionário e se comprometem com a evangelização dos povos não alcançados, além de iniciativas evangelísticas locais. Todavia, não basta o esforço individual de alguns. Precisamos, como líderes e formadores de opinião, incentivar missões transculturais, tanto quanto incentivamos missões nacionais. Isso se dá no púlpito das igrejas dominicalmente e não esporadicamente em Conferências Missionárias. A tarefa de levar a igreja ao avanço missionário é nossa, pastore(a)s e líderes. Afinal, o Evangelho está bastante disponível no Brasil também através de igrejas irmãs, embora muitos povos (etnias) ainda não ouviram o Evangelho de maneira honesta e profunda. Temos menos de 2000 missionários no campo transcultural e isso é vergonhoso para a igreja brasileira, que possui recursos e tem potencial majoritário no cenário mundial para enviar missionários. Temos gente treinada, diversidade racial e recursos financeiros. Não há desculpas para não enviar discipuladores (1 Tm 2:4; Mt 28:19).



E as agências missionárias? As agências missionárias e as secretarias criadas pelas denominações não deveriam, essencialmente, fazer missão. Essa é a tarefa da igreja local e não prerrogativa das estruturas denominacionais. Contudo, as agências servem muito bem colaborando no treinamento, acompanhamento dos missionários e captação de recursos para o campo transcultural, dentre outras funções. Muitas igrejas locais investem recursos em agências missionárias interdenominacionais porque nossa denominação ainda não formatou uma proposta mais específica, como fez a IPB por exemplo, ao instituir a APMT (Agência Presbiteriana de Missões Transculturais). Precisamos estimular os crentes a fazer discípulos desde o vizinho da rua até os confins da terra.

Conheça  a Missão Avante: www.missaoavante.org.br

5 de julho de 2012

"Doutor... meu coração é Corinthiano?"

Futebol e Religião são fenômenos parecidos. Ambos estruturam ambientes que propiciam o fanatismo. Sou Corinthiano por parte de pai e por opção. Mas assistir ao fanatismo da nossa torcida causa tristeza e repulsa. Todo fanatismo é pecado, porque os extremos nunca são saudáveis. Se você é cristão torça pelo seu time, mas não construa um altar para ele em seu coração. Gostaria de ver o Governo investindo mais em educação do que em futebol e de ver os cristãos postando mais opiniões construtivas do que futilidades. Não coadunemos, portanto, com as superficialidades futebolísticas da cultura brasileira. Somos campeões da Libertadores, mas não está nisso o fundamento da nossa alegria.
Como cristãos, teríamos um coração balizado em tanta superficialidade? Seria um Time de futebol a aspiração da nossa alegria? Por acaso seria bíblico fundamentar nossa realização pessoal num time, por melhor que ele seja? Se fosse assim, teríamos que jogar a carta de Filipenses no lixo. É a carta da profunda alegria que não pode ser encontrada nas coisas, nas pessoas ou nas circunstâncias, pois nossa alegria verdadeira está em Cristo. É por isso que o apóstolo Paulo, mesmo na prisão, dizia: "tudo posso naquele que me fortalece" Fl 4,13. Onde está o fundamento da sua alegria? Em experiências passageiras e circunstanciais ou nas eternas promessas do Salvador?

7 de abril de 2012

Missões, a tarefa prioritária da igreja - 2ª parte

Ilustração: Certa vez um irmão chinês, depois de haver conhecido a Jesus através de Hudson Taylor, disse: - Hoje tenho Jesus e tenho paz verdadeira em meu coração. Há quanto tempo seu povo conhece o Evangelho?” -“Há mais de 100 anos”, disse Taylor. -“E por que só foram nos falar do Evangelho agora? Tantos já morreram sem conhecer. Vocês deveriam ter vindo antes ou então enviado alguém!” 

OUTRA RAZÃO PELA QUAL FAZER MISSÕES É A TAREFA PRIORITÁRIA DA IGREJA: PORQUE GLORIFICA A DEUS.
Você já parou para pensar, sobre o porquê nos reunimos sempre para cultuar a Deus no ajuntamento público? A resposta é simples: porque fomos criados para a Glória de Deus. O objetivo do Diabo, como força maligna que se opõe a vontade do Criador, é tirar o ser humano desse propósito: a glória de Deus. Precisamos ser apaixonados por ela. O Catecismo Menor de Westminster, afirma o seguinte: “O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”. 
            A igreja glorifica a Deus quando prega o evangelho, desde o vizinho até os confins da terra. O Evangelho de Mateus 13:38 deixa claro que “o campo é o mundo”. Se a igreja perder a convicção de que ela é semente jogada no mundo para crescer e gerar frutos (vidas), para a glória de Deus, então deixará de ser igreja.
            Em Apocalipse 5 João vê um lindo culto ao Cordeiro Ressurreto, em que Cristo é glorificado. Esse culto pleno, formado por gente de todo povo, raça, tribo, língua e nação, será cósmico e multicultural. Isso agrada e glorifica a Deus!

SE MISSÕES É A TAREFA PRIORITÁRIA DA IGREJA ENTÃO VOCÊ É UM MISSIONÁRIO     
            O pastor revolucionário Martin Luther King asseverou: “Quem não tem uma causa pela qual morrer não tem motivo para viver”. Não importa qual seja sua profissão ou ocupação. Em qualquer lugar você pode exercer um ministério bivocacionado,  servir a Deus e anunciar o Evangelho entre os amigos, vizinhos, colegas de trabalho e de estudo, enfim, aqueles não conhecem o Evangelho. Essas pessoas podem ter ouvido falar de apresentações sincréticas e místicas do Evangelho, porém elas precisam ter um encontro real com Jesus e de uma apresentação honesta e profunda do Evangelho. Ele é o teu próximo e Deus pedirá contas disso. Li uma postagem numa rede social recentemente: “O fato de você ter um piano em casa não faz de você um pianista, assim como o fato de você ir a igreja, não faz de você um cristão”. Todo cristão é um missionário e isso precisa estar claro em nossas mentes.
           Gosto do nosso lema: “fazendo discípulos no Reino de Deus” (slogan da igreja que pastoreio – www.ipibariri.com.br). Afinal, fazer missões não significa dar porções do Evangelho ou demonstrações minúsculas sobre os planos de Deus. Ao contrário, significa plantar uma semente (o Evangelho) e regá-la arduamente para que amadureça e produza frutos para a Glória do Pai; ou seja, além de pregar precisamos ensinar e discipular -  Mt 28:18-20.
           Concluindo, fazer discípulos (seguidores de Jesus) não é prerrogativa dos missionários ou pastores. Todo cristão foi responsabilizado por Jesus Cristo e Ele nos pedirá contas quando voltar – Mt 24:14. Não é tarefa exclusiva dos que partem para outras nações. Precisamos anunciar o Evangelho (e para isso devemos conhecê-lo) desde “Jerusalém (...) e até os confins da terra”. Desde o meu vizinho, até o mundo; dos guetos marginalizados às elites dominantes - Atos 1:8.
            Para que a glória de Deus se espalhe pela terra, eu preciso ir. Oswald Smith disse: “Você deve ir ou enviar um substituto”. Se não estou disposto a isso, devo então incentivar, orar ou contribuir por quem vai em meu lugar anunciar o Evangelho. Assim serei coparticipante na construção do Reino e na expansão da luz entre as trevas, para a Glória de Deus.

5 de abril de 2012

Carisma e o caráter: entre o ser e o parecer


Foi-se o tempo em que "Ser" era o bastante”[1]. “Ser” ou “Ter” não são objetos de busca pela sociedade atual. É o “parecer” que está em evidência. Há muitos que não se preocupam mais com a integridade, idoneidade ou caráter do “Ser”; Existe outros que não se importam mais com a busca frenética por “Ter”, embora vivamos no ápice cultural do materialismo que vem perdendo espaço para o exibicionismo. Preocupam-se, entretanto, com a aparência, a casca, o rótulo, a exterioridade; de modo que as pessoas não acharam a felicidade hedonista garimpada nos bens materiais e futilidades para preencherem seus vazios emocionais. Tampouco se interessaram pelo interior, pelo conteúdo ou pela natureza do caráter. E essa reflexão introdutória nos leva ao entendimento de que a igreja atual, sobretudo os líderes, acabam vivendo de aparência e satisfazendo essa cruel realidade da sociedade teatral.  Vivemos num tempo em que a admiração pelo carisma[2] triunfa sobre o caráter. E que a imagem tornou-se mais importante que o produto; a figura mais valorizada que a substância; a forma  mais admirada que o conteúdo, visto que “Ser” já não é o bastante, “Ter” já saiu de moda ou apenas serve para sustentar que o importante é viver de aparência.
               Jesus asseverou: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus”- Mt 5:8. Não são poucos os textos onde Jesus condena a vivência da fé como mecanismo de autopropaganda: “E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.” (grifo meu) Mt 6:5.
               Em João 3 Jesus deixou claro para Nicodemos que ele precisaria nascer de novo, pois vivia uma religiosidade aparente e desconectada com o Reino. Nicodemos era clericalmente exemplar, possuía status e aparência religiosa v. 1. Todavia era homem que vivia de aparência e não poderia deixar de admirar apenas o que motivava sua consciência, pois a “boca fala do que o coração está cheio”. Então Nicodemos admira Jesus, mas não o segue. Seu compromisso com o Salvador se dá na calada da noite (v.2), pois quem se preocupa com a aparência não quer ser visto como seguidor do homem da periferia, da Galiléia: “Outros diziam: Este é o Cristo; mas outros replicavam: Vem, pois, o Cristo da Galiléia?” Jo 7:41  Então Jesus ensina àquele homem que sua religião não bastava, pois de nada adiantava parecer e não ser discípulo. Ensina-o a nascer de dentro pra fora, pois quando a experiência de fé acontece apenas de fora pra dentro o conteúdo do caráter não é alterado, mas apenas as personificações e performances exteriores do carisma.
               Gente que vive de aparência é hipócrita, engana-se a si mesma e não passa de atriz e ator da fé. O burocrata quer ficar bem diante das pessoas. É fariseu, politicamente correto. Tal como Nicodemos que admira a autoridade de Jesus, todavia não se sujeita a ela. É capaz de fazer declarações fantásticas sobre Jesus, mas não tem compromisso algum com o Mestre. Nosso testemunho diário com Jesus, portanto, deve surgir das experiências autênticas que ocorreram no interior do coração e não das pressões sociais que nos empurram para a religiosidade estéril. Deve, antes, nascer do nosso relacionamento com Deus no quarto secreto de oração e não das exigências impostas pela sociedade da religiosidade publicitária.
               A falta de honestidade, a inconstância, a inadimplência e a superficialidade (dentre outras aberrações) dos evangélicos no cotidiano da vida secular são repulsivas. Não é possível recolher as mãos para pagar impostos e estendê-las para orar. Erguer a voz para adorar no ajuntamento para o culto e estancá-la para denunciar o pecado e a injustiça. Orar em público para Deus e deixar de adorar no secreto. Parecer e não ser. Tudo isso é vaidade e engano. E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.” - Tg 1:22. Afinal, a vida do cristão nos bastidores é tão formidável quanto no palco da vida ou no exercício da fé.
                Nem tudo é o que parece. Jesus afirmou corajosamente que os fariseus religiosos eram como “sepulcros caiados (pintados)”, bonitos por fora e podres por dentro (Mt 23:27). Como líderes, cristãos e servos de Jesus Cristo não podemos aceitar que a cultura do carisma em detrimento do caráter prevaleça como estilo de vida. E que a aparência seja confundida erroneamente como essência. É possível haver uma coerência entre carisma e caráter, desde que sigamos o exemplo de Jesus; isso não significará ser necessariamente popular (Jo 6:60-67), mas íntegro e verdadeiro diante de Deus. E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens”. Lc 2:52           
            

[1] Referência ao livro título do livro do pastor Carlos Queiroz, “Ser é o Bastante” publicado pela editora Ultimato. Neste livro o autor faz uma bela exposição das bem aventuranças de Mt 5:1-12.
[2] Carisma aqui não é utilizado no sentido teológico, carisma = dom ou variante do grego Káris que significa graça. Carisma aqui se refere ao pensamento do indivíduo carismático, simpático, politicamente correto e num sentido pejorativo. Que vive para agradar os outros e não a Deus.

23 de março de 2012

Missões, a tarefa prioritária da Igreja

Oswaldo Smith, conhecido como o “Sr. Missões” foi aos 18 anos trabalhar numa tribo indígena no Alaska, depois disso sua vida mudou radicalmente. Escreveu o livro “O Clamor do Mundo”, dentre outros como "O Clamor das Almas", fontes para redação deste artigo. Foi quando descobriu que deveria ser um pastor “enviador” e fundou uma igreja em Toronto, no Canadá; seu sonho antes de morrer era que sua igreja sustentasse 400 missionários nos campos transculturais, porém, quando morreu em 1986, sua igreja contribuía com 850 missionários espalhados pelo mundo. Somente no ano de 1992, foram arrecadados $2.5000 para missões. É necessário buscar o amor que esse homem possuia pelos povos não alcançados.
   
Mt 24:14 – afirma que o Evangelho precisa ser pregado a todas as nações.

Missões, de acordo com a Bíblia, não é uma opção. Não é uma possibilidade. Missões não fazem parte apenas de mais uma opção de ministério. Apocalipse 7:9 precisa ser cumprido:

"Depois destas coisas olhei, e eis uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, que estavam em pé diante do trono e em presença do Cordeiro, trajando compridas vestes brancas, e com palmas nas mãos;"

Mc 16:15 precisa ser vivido. "E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura." 
 
    Precisamos de pessoas para orar, incentivar, ir e contribuir. É urgente que oremos por missionários, como o inglês Hudson Taylor, que ainda jovem e sem concluir a formação em medicina, foi para o interior da China como missionário. Perdeu seus dois filhos pequenos e sua esposa em terras estrangeiras. Quando morreu, havia mais de 300 missionários da Inglaterra na China, aconteceu que milhares de chineses abandonaram o Budismo e se converteram a Jesus.
    Hudson Taylor  disse certa vez que: “A obra de Deus começa difícil, torna-se impossível e então é feita”. Há algumas razões para missões serem prioritárias na Igreja. Neste artigo analisaremos uma delas:

Missões é a tarefa prioritária da igreja porque “a visão de Deus é mundial”.
    A obra mais importante da igreja não é construir prédios, manter ministérios internos ou eventos. Sua maior tarefa é a Evangelização do mundo! Discipular gente de todo o povo, tribo, língua e nação, para a glória de Deus.
     O famigerado texto de João 3:16 diz que quando Deus amou, amou o mundo. Quando deu seu Filho, deu-o pelo mundo! Quando Jesus morreu, morreu pelo mundo! A visão divina é cósmica; é universal. É uma visão de mundo e essa é a visão que Ele quer que tenhamos. Certo escritor foi assertivo quando disse: “A tarefa toda, de toda Igreja, é dar o Evangelho todo, ao mundo todo”
    Quantos de nós enxergam apenas os próprios interesses, a cidade, a vizinhança, a igreja local? Há aqueles que se preocupam com o bairro ou a cidade. Isso é excelente, mas ainda não é essa a visão que Deus quer que tenhamos. Existe aqueles  que se preocupam com o País, isso é ótimo, pois têm uma expansão maior na visão. Ainda assim essa não é a visão de Deus. Finalmente, há aqueles que enxergam o mundo, como Deus enxerga; nossa visão deve ser a visão de MUNDO porque essa é a visão de Deus. Não basta nos preocuparmos com as nossas próprias vidas. Somos 7 bilhões de habitantes no planeta e muitos nunca ouviram falar de Jesus Cristo.
    O Uruguai é o país mais ateu da América Latina. Que tal trocar sua viagem de férias, por uma viagem de férias missionária  no Uruguai? Se não vamos aos povos não alcançados, então precisamos enviar alguém em nosso lugar. Por que Deus estaria mais interessado em nós do que em outras nações? Por que nos sentimos tão valorizados em nossa perspectiva? Por que imaginamos que somos mais importantes que o resto do mundo? Seria Deus um exclusivista xenofóbico? Seria Deus brasileiro? Claro que não! É o Deus cósmico, que tem um amor universal.
    Deus amou o mundo, e essa deve ser a tarefa da igreja. O que faremos com o texto sagrado de Ezequiel 3:17-19? Resta-nos procurar glorificar a Deus anunciando o Evangelho desde o vizinho da rua, até os confins da terra. Somente assim a igreja viverá segundo sua razão de ser: glorificar a Deus anunciando o Evangelho a todas as nações.