25 de janeiro de 2014

O MEDO DO AMOR

“No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro”. 1 João 4:18-19 - NVI

Certamente, quem serve a Deus por medo não serve o Deus bíblico, mas o "deus" da culpa, das crises existenciais que povoam a consciência. Afinal, nosso Deus é amor! E esta é a melhor, menor e mais profunda definição sobre a natureza de Deus. O medo que as religiões têm promovido - sobretudo evangélicas, infelizmente, vai na contra-mão do Evangelho. Eu mesmo já tive muito medo e de muitas coisas, entretanto, ao conhecer o amor de Deus todo temor se esvai. Todo ser humano tem um buraco do tamanho de Deus e é dEle que precisamos para espantar nossos temores internos.
“No amor não há medo”, diz João. Deus não pode se contradizer. Ele não seria como os incautos que dizem uma coisa hoje e outra amanhã. Deus não domina o Universo com medo, mas se assenhoreia dos corações com amor. É dessa forma que Deus agem em nós, não através do medo, porque no amor ele não tem lugar. Ambos não podem coexistir na mesma substância, tampouco participar da mesma eternidade. É por isso que no lar eterno não haverá medo, nem esperança – porém o amor já está lá, aguardando-nos.
“O perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo” – Não basta ser amor, é preciso ser perfeito. O Deus de amor é assim. Completo, sem defeitos. O medo é algo como um estado de ser cheio de imperfeições, logo, não pode conviver com o amor. O amor expulsa o medo. Alguém que tem medo precisa ser amado para que seus dragões da alma sejam ejetados. E como o amor é perfeito, logo podemos ser – meu verbo preferido. Já o medo, contenta-se com o verbo ter. “Tenho medo”! - você diria. Porém, geralmente, jamais diria “tenho amor”, e sim “sou amado” ou “amo”. Tudo que a gente tem pode ser expulso, já o que somos faz parte da nossa essência. Portanto, assim como o ter não é maior que o ser, o medo não vence o amor. Quem tem medo deixa de ser e quem ama não precisa ter para amar. Afinal, medo é algo que possuímos, amor é aquilo que nos possui.  Medo é o que temos, já o amor, o que somos. Quando deixamos de amar, deixamos de existir. Ao deixar de temer, simplesmente deixamos de ter. Quem serve a Deus por amor ao ter e não com o medo de deixar de ser, sofre o castigo da imperfeição – “o medo supõe castigo”, diz João. Precisamos temer pelo amor ao ter, para ser. Necessitamos amar a Deus não para escapar do castigo que o medo traz, mas pelo amor, ao Amor.
“Aquele que tem medo (fobos) não está aperfeiçoado (teleios) no amor (agape)”. Somente algo perfeito pode aperfeiçoar. Quando Deus age em nós, o amor nos aperfeiçoa, completa ou amadurece – teleios no grego original significa perfeição, o todo, ser completo. O grande ofício do amor é a maturidade, a completude, o ápice da existência espiritual. Já quem tem medo, recebe o castigo da imperfeição, ou seja, o resultado do medo é a imaturidade espiritual. Quem tem medo é incompleto, imaturo. Quem ama é aperfeiçoado, pois está na escalada da maturidade. Enfim, quem tem medo de Deus, possui medo do amor. E ninguém que tenha medo de amar é aperfeiçoado ou amadurecido. Permanece refém da imaturidade, cravado na avalancha da mediocridade, por causa do medo.
“Nós amamos porque ele nos amou primeiro”. A iniciativa para salvar a humanidade é sempre divina. O homem não pode amar a Deus sem o amor do próprio Deus. Tudo o que tem amor verdadeiro começa nEle e se converge para Ele. Ele é o início e o fim, o princípio e o desfecho, a causa e o final. Portanto, somente Deus pode fornecer a solução cabal para o problema do pecado, ao encarnar-se no Filho e aplacar a Sua própria ira. "Se isso não é amor, o que mais pode ser"? – lembra a canção. Ao nos amar primeiro recebemos a oportunidade para amar. É como um alpinista que, apesar do medo, escala uma montanha em direção ao cume que se aproxima. O pico chegou ao alpinista ou o contrário? Nós escalamos para o amor, ou o amor chega para nós na medida em que escalamos? O pico sempre esteve lá, como o amor. Como o montanhista apresentado ao monte - que existia antes dele - vislumbrado, decide escalar até chegar no alto desejado. Assim é Deus, com seu amor que se torna alvo de todos nós que um dia recebemos sua revelação. Escalar a montanha da maturidade só é possível porque fui enlaçado pelas cordas do amor de Deus. Olharei para as avalanches do medo, ou fitarei minha confiança no pico do amor? Ah... como quero, sem medo, aperfeiçoar-me neste monte, cujo pináculo é Deus, o Amor, a Perfeição.
"Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados". 1 João 4:10 



23 de janeiro de 2014

O PROPÓSITO DE AMAR


Freqüentemente renovamos os propósitos com o início de um novo ano. O regime, a academia, o livro a ser lido e muitos outros motivos que povoam nossas conversas no início de 2014. Alguns, até com entusiasmo, prometem mais comunhão com Deus e com as pessoas, mas ao longo do ano vão esfriando-se. Todos outros propósitos acima são bons, porém serão inúteis se não tiverem o amor como foco majoritário. Nada se fará novo, no ano novo se o coração não se renovar. Só existe ano novo com uma vida nova. Por isso, neste ano, sugiro o propósito maior: peça a Deus um coração regenerado pelo seu amor e que lhe capacite a amar. De que forma? Comece orando e liberando perdão pela fé e deixe 2013 com o coração pacificado, em amor.
Perdoar significa abrir mão do "direito" de se sentir magoado. Perdoar é uma decisão que liberta o outro da nossa própria consciência. Perdoar é um remédio para a alma. Perdoar é uma ponte que construímos para um dia, também, passar por ela. Não leve o cheiro fétido das sementes de amargura para o ano seguinte. Em 2014, perdoe mais!
Amar é uma decisão corajosa; é muito mais que um sentimento. Amar é uma atitude daquele que imita os passos do Deus que se fez homem, encarnou-se, humilhou-se e se fez pecado por nós na cruz. Deus que abriu mão do direito de ser servido para servir. Amar significa a renúncia do eu, a morte do egoísmo. Significa, portanto, o desejo de dar sem requerer algo em troca. Deus, ao amar, deu seu único Filho. Quem ama oferece graciosamente sua decisão voluntária de servir, mesmo que não queira. Em 2014, ame mais!
Em 2014 priorize amar dois objetivos para os quais fomos criados: Deus e as pessoas. Tudo passará, porém o amor continua. No fim da vida, quem sabe no leito pré morte, apenas duas partes serão lembradas com fervor: Deus e as pessoas que aprendemos a amar.

A Trindade Santa já nos deu a lição:

1.  Deus no ensinou a amar enviando seu filho (1 Jo 4:19).
2.  Jesus nos ensinou a amar dando sua vida (Jo 13:34-35).
3.  O Espírito Santo nos ensina amar derramando o amor de Deus em nosso coração (Rm 5:5).
Quem ama a Deus, aprende a amar as pessoas. Única forma de Deus amar o meu próximo, é através de mim. Portanto, devo amar a família, os irmãos na fé e os incrédulos. Em 2014, faça seguidores dos passos do Mestre, Jesus Cristo, amando mais e melhor.


No amor de Jesus,  

ECOANDO A VOZ DE SPURGEON

Lendo Charles Haddon Spurgeon nesta semana, com temor e devoção, recebi palavras de encorajamento, exortação e sabedoria. Como me sinto humilhado e ao mesmo tempo enriquecido ao ler seus textos. Agora entendo porque muitas pessoas se rendiam a Cristo apenas ao lerem seus textos em papéis onde se embrulhavam pães. É sempre um privilégio olhar para homens de fé que viveram no passado com humildade e maturidade, simplicidade e grandeza, longanimidade e coragem ao mesmo tempo. Que nossos jovens e adolescentes busquem esses referenciais do passado, leiam seus textos, meditem nos tesouros literários que deixaram cravados na história. Busquem como referência este homem que aos 6 (seis) anos de idade lera o livro O Progresso do Peregrino inteiramente e mais 100 vezes após isso. Aos 20 anos, já havia pregado por mais de 600 vezes e foi instrumento direto de Deus por 12.000 conversões. Ler Spurgeon, o príncipe dos pregadores, é sempre alimento sadio para a alma sedenta de profundidades em meio a tantas superficialidades modernas. Abaixo, recomendo este belíssimo texto de Spurgeon:

A TODOS ELE CUROU
“Muitos o seguiram, e a todos ele curou  (Mt. 12:15)

Que multidão de doentes repugnantes deve ter se aglomerado sob olhos de Jesus! Apesar disso, não lemos que Ele estivesse com nojo, e sim pacientemente esperando cada caso. Que variedade singular de males deve ter se encontrado a Seus pés! Que úlceras nojentas e que feridas purulentas! Ainda assim Ele estava pronto para cada nova forma de terríveis males, e foi vencedor sobre cada uma delas. Deixe que os dardos venham de todos os lados, Ele extinguiu seu poder flamejante. O calor da febre ou o calafrio da inflamação; a letargia da paralisia, ou a cólera da loucura; a imundície da lepra, ou a escuridão da cegueira – todos conheceram o poder de Sua palavra, e fugiram ao Seu comando. Em todos os cantos da terra Ele foi triunfante sobre o mal, e recebeu o respeito dos cativos libertos. Ele veio, viu, e venceu em todos os lugares. Ainda é assim nesta manhã.

Qualquer que seja o meu caso, o Médico amado pode me curar; e qualquer que seja o estado dos outros de quem eu possa me lembrar neste momento de oração, posso ter esperança em Jesus que Ele será capaz de curá-los de seus pecados. Meu filho, meu amigo, alguém querido, posso ter esperança para cada um, para todos, quando me recordo do poder medicinal de meu Senhor; e por minha conta, qualquer que seja a gravidade da minha luta contra os pecados e as enfermidades, ainda posso ficar alegre. Aquele que na terra andou em hospitais, ainda dispensa a Sua graça, e faz maravilhas entre os filhos dos homens: deixe-me ir a Ele de uma vez por todas em plena confiança.
Vou louvá-lO esta manhã, enquanto me recordo de como Ele trabalhou Suas curas espirituais, as quais Lhe trouxeram grande renome. Foi por tomar sobre si nossas enfermidades. “Por suas chagas, fomos sarados.” (I Pe. 2:24) A Igreja na terra está repleta de almas curadas por nosso Médico amado; e os habitantes do próprio céu confessam que “A todos Ele curou.” Venha, então, minh´alma, anuncia em todos os lugares as virtudes da Sua graça, e deixa “ser isto glória para o SENHOR e memorial eterno, que jamais será extinto.” (Is. 55:13)

Fonte: Morning and Evening (Devocional Matinal do dia 07 de Maio)

Tradução: Mariza Regina Souza