2 de agosto de 2013

O Papa é pop

“A ignorância é a mãe das heresias”. João Calvino

“Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura”. Isaías 42:8

Estou um pouco assustado com o apoio que os protestantes têm dado à vinda do Papa ao Brasil na última JMJ. É estranho que nos esqueçamos dos valores que nos separam do catolicismo romano e que foram abundantemente pregados na Reforma do Séc XVI. A Igreja Católica Romana continua a mesma, o que mudou foram as estratégias políticas e marqueteiras para angariar fiéis. “O papa é pop”. A mídia brasileira não poupa ninguém[1].
Papa Francisco é bem vindo ao Brasil. Como são bem vindas todas as pessoas de bem e com boas intenções. Mas não podemos deixar de afirmar que ele é o novo garoto propaganda de uma instituição em declínio no Brasil e que sua vinda faz parte das estratégias proselitistas, diferentes, é claro, daquelas que remontam o Brasil colônia. Talvez Papa Francisco saiba dos gastos absurdos para organizar sua vinda e que não desistiria da viagem - mesmo sendo adepto à ordem franciscana - ao saber dos 118 milhões (subestimados) que foram gastos com dinheiro do contribuinte (de todas as confissões religiosas, ou seja, pagamos por uma visita religiosa). E se fosse um pastor? Será que haveria tanto apoio da tendenciosa mídia em nosso país? Outra questão sobre a qual deve-se pensar é a incongruência dos gastos públicos para uma visita com propósito religioso - embora o Vaticano seja um país, sendo seu representante o Sumo Pontífice.
Tendo essas e muitas outras observações como pano de fundo e as precedentes alianças históricas dos grandes latifundiários com a igreja romanista (que também não deixa de ser uma hegemonia inquestionável nas questões de propriedades), a percepção que se descortina diante de nós é aquela tão preservada nos países com democracia de verdade: a laicidade do estado deve ser respeitada; mas no Brasil... isso não funciona.
O Papa disse numa de suas primeiras falas no Brasil “não tenho ouro nem prata...”, citando Atos 3,6 comparando-se a Pedro. Será? Isso é uma incoerência, para não dizer hipocrisia, tendo em vista a grande quantidade de ouro e prata nas reservas do Vaticano – boa parte dessa riqueza usurpada nas corridas coloniais, cruzadas, vendas de indulgências e alianças políticas. O Papa tenta usurpar também das prerrogativas de Jesus Cristo.
Jesus é Mediador Supremo: Ele é profeta, sacerdote e rei. Somente ele pode perdoar pecados. Somente ele é o Sumo Sacerdote e pode mediar o homem a Deus. E por fim, é Jesus Cristo o único rei digno de um trono e governar a história. Não nos esqueçamos dos concílios que aprovaram os mais absurdos dogmas anti bíblicos. Tais como seguem: no ano 310 Reza pelos defuntos, 320 Uso de Velas, 375 Culto dos santos, 431 Culto à “virgem” Maria, 503 Obrigatoriedade de se beijar os pés do papa, 850 Uso da água benta, 993 Canonização dos Santos, 1073 Celibato Sacerdotal, 1184 Instituição da Santa Inquisição, 1190 Venda de Indulgências, 200 Substituição do pão pela hóstia, 1215 Dogma da transubstanciação, 1229 Proibição da leitura Bíblica, 1316 Instituição da reza à Ave Maria, 1546 Introdução dos livros apócrifos, 1870 Dogma da infabilidade papal, 1950 Ascensão de Maria. Essas e muitas outras heresias foram fortemente combatidas pelos reformadores.
A heresia papal tenta roubar os ofícios de Cristo. A Igreja Católica Romana ensina que ele é representante de Cristo na terra e infalível em questões de fé e moral (Ex cátedra, Concílio Vaticano I,1870). Afirma ainda que o Papa é "sacramento de Jesus Cristo, a Verdade em pessoa e Aquele que veio trazer as verdades fun­da­mentais". Uma afronta à soberania de Deus e a primazia de Jesus.
A encíclica papal Dei Verbum (1965, Vaticano II) afirma que a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição da Igreja Católica Romana têm o mesmo peso para a fé. As Escrituras, nesse sentido, precisam passar pela tradição da igreja. Como comungar com uma denominação que coloca a tradição dos homens acima das Escrituras? Roma crê na obra de Cristo? Sim. Mas não crê somente na obra de Cristo. Roma crê na suficiência da fé? Sim. Mas também crê na suficiência das obras. Roma crê nas Escrituras? Sim. Mas, na prática, a Tradição suprime a Bíblia. Por isso, precisamos voltar aos temas pontuados na reforma.
A doutrina papal (a mentira de que Pedro fundou a Igreja, como substituto de Cristo e teria repassado o bispado aos sucessores) foi criticada por John Huss (queimado vivo pela Igreja), Martinho Lutero, João Calvino, John Wylclif e muitos outros reformadores. Não é normal, portanto, ver crentes defendendo a vinda do Papa ao Brasil, elogiando suas prédicas como se fosse um bom mocinho. Demonstra uma falta de conhecimento da história. Uma incoerência da fé. Os reformadores deram a vida por causa dos temas que fundamentaram a fé reformada e não podemos, como protestantes, jogá-las no lixo: Solus Christus (Só Cristo); Sola Fide (Só a Fé); Sola Gratia (Só a Graça); Sola Scriptura (Só as Escrituras).

Para outras referências bíblicas básicas, sugiro a leitura dos seguintes textos:

Suficiência das Escrituras: I Tim. 3:16-17, Apoc. 22:18-19.
Mariolatria. Êxodo 20:1-3; Mat 12:48; Lucas 11:27-29; Atos 4:12; I Tim 2:5.
Idolatria: Êxodo 20:4-6, Salmos 115, I João 5:21 e muitas outras passagens.
Somos salvos e justificados pela fé e não pelas obras. Rom 5:1; Efésios 2:8-10.
O celibato obrigatório é uma contradição, pois, Pedro tinha sogra. Mt 8:14-15; 1 Tm 3:1-3.



[1] “O Papa é pop, o pop não poupa ninguém”. Referência à música da banda Engenheiros do Havaí.

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