29 de agosto de 2013

Julgar ou não julgar? Eis a questão!

Martinho Lutero fixando as 95 teses da Reforma Protestante.
“... sabendo que fui posto para defesa do evangelho”. Filipenses 1:17

Não há um décimo primeiro mandamento tão proferido pela igreja moderna: "não julgarás”. Jesus autorizou o julgamento das heresias e pessoas, não a condenação. Julgar não significa condenar. Um julgamento indica discernimento, argumentação, acusação. A condenação é a sentença. E sentenciar alguém, somente Deus poderá fazê-lo.
Todavia, o julgamento deveria ser uma prática constante na igreja a fim de defender a fé do Evangelho. Senão, o que faríamos com os textos proféticos que denunciam o pecado? Leremos apenas as partes agradáveis e desprezaremos os textos que nos desagradam nas Escrituras? A Bíblia não é toda a Palavra de Deus? Não devemos considerar também as partes que falam da ira de Deus, sua abominação ao mal e seus julgamentos? É preciso pensar no julgamento como um ato de maturidade, que denota discernimento para separar o bem do mal. “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” (Isaías 5:20)

Não devemos julgar quando nossa vida não tem autoridade moral.
Ou seja, o julgamento é autorizado por Jesus como critério para a nossa própria fé. Ao fazer um julgamento, devo ter em mente o desejo de defender o Evangelho, ainda que tenha que julgar a mim mesmo. A fé do Evangelho, a verdade das Escrituras, a Palavra de Deus é mais importante que a reputação do “eu impostor”. No texto  a seguir, Jesus não diz para não julgar o próximo, mas para julgar primeiramente a nós mesmos.

“Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: Deixe-me tirar o cisco de seu olho, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão(Mt 7.3-5).

“Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês”. (Mt 7:2)

Paulo ainda diz:
“Portanto, você, que julga os outros é indesculpável; pois está condenando a si mesmo naquilo em que julga, visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas” (Rm 2.1).

Isso significa que um mentiroso não pode julgar outro mentiroso. Um adúltero não possui autoridade para julgar outro adúltero. Se Jesus dissesse isso em nossos dias, seria rotulado como moralista ou legalista. Certamente, Jesus não serviria aos padrões para o pastorado em nossos dias. Talvez ele não fosse visto com um crente ideal, já que vivia entre os pecadores da época e julgava freqüentemente os religiosos.

O que fazer com os julgamentos que o senhor Jesus fez? Omitiremos?
Lembre-se, o Senhor Jesus sempre julgou pessoas religiosas. Ele nunca julgou os incrédulos, em seu ministério. Aos pecadores incrédulos Jesus sempre oferecia compaixão, misericórdia e graça. Devemos fazer o mesmo.
“Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo”. (Mateus 23.13).
“Guias cegos! Vocês coam um mosquito e engolem um camelo”. (Mateus 23.24).
“Uma geração perversa e adúltera pede um sinal miraculoso! Mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal do profeta Jonas” (Mateus 12.39).
“Bem profetizou Isaías acerca de vocês, hipócritas; ...” (Marcos 7.6).
“Respondeu Jesus: Ó geração incrédula, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam-me o menino” (Marcos 9.19).

É importante salientar que os julgamentos devem ser motivados por longanimidade, espírito de unidade, desejo de promover amadurecimento, e amor. Afinal, julgamento é também uma atitude de amor que visa discernir o certo do errado para o bem do próximo. Será fácil diferenciar um julgamento cheio de discernimento de uma fofoca motivada por intrigas.

E conselhos sobre julgamento provenientes dos apóstolos?
Os pais da igreja, os apóstolos e mártires não foram menos severos ao tratar das injustiças e pecados do seu tempo. Vejamos:

“Apesar de eu não estar presente fisicamente, estou com vocês em espírito. E já condenei aquele que fez isso, como se estivesse presente (...) entreguem este homem a Satanás, para que o corpo seja destruído, e seu espírito seja salvo no dia do Senhor” (1 Coríntios 5.3-5).
“Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer” (1 Coríntios 5.11).
“Pois tais homens são falsos apóstolos, obreiros enganosos, fingindo- se apóstolos de Cristo” (2 Coríntios 11.13).
“Mas eles difamam o que desconhecem e são como criaturas irracionais, guiadas pelo instinto, nascidas para serem capturadas e destruídas; serão corrompidos pela sua própria corrupção! Eles receberão retribuição pela injustiça que causaram. Consideram prazer entregar-se à devassidão em plena luz do dia. São nódoas e manchas, regalando-se em seus prazeres, quando participam das festas de vocês” (2 Pedro 2.12-13).

“De fato, muitos enganadores têm saído pelo mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em corpo. Tal é o enganador e o anticristo. Tenham cuidado, para que vocês não destruam o fruto do nosso trabalho, antes sejam recompensados plenamente. Todo aquele que não permanece no ensino de Cristo, mas vai além dele, não tem Deus, quem permanece no ensino tem o Pai e também o Filho. Se alguém chegar a vocês e não trouxer esse ensino, não o recebam em casa nem o saúdem. Pois quem o saúda torna-se participante das suas obras malignas” (2 João 7-11).

Por isso, lembremo-nos: não existe o famigerado 11º mandamento “não julgueis”.  Ao invés de recitar ditos populares sem critério bíblico, como: “somente Deus pode julgar”, melhor dizer: “devemos julgar, pois, possuímos a verdade em nós e isto indica discernimento”. Se não fosse assim, ainda seríamos católicos romanistas e não protestantes.

Você está em paz com Deus e julga sem transferência de culpa, senso punitivo ou porque é um xiita evangélico? Sua motivação é amorosa cheia de misericórdia e graça? Então, julgue a vontade, mas não se esqueça de fazê-lo, primeiramente, consigo mesmo e sempre em amor.

Dito está!

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