30 de agosto de 2013

DEUS: PRAZER OU NECESSIDADE?

"Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos! A minha alma está desejosa, e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo." Salmos 84:1-2

Você já se perguntou sobre a razão pela qual muitas pessoas, além de ir a igreja, serem cristãs praticantes, ainda continuam com uma enorme sensação de vazio existencial? É porque sua satisfação ainda não é Cristo! É por isso que as pessoas mudam-se de igreja para igreja, sempre a procura de novidades que, porventura, preencham seus vazios internos. Mas nada tapará o seu "buraco do tamanho de Deus" senão o próprio Deus.
O salmo 84 é uma linda declaração poética daquele que se alegra em Deus. O salmista possui uma alegria inabalável, um prazer imensurável e satisfação completa em Deus. Demonstra a razão da nossa existência, o fundamento da alegria ultra circunstancial e o propósito maior para o qual fomos criados: Como asseverou John Piper:
“Deus é mais glorificado em nós quando estamos satisfeitos Nele.”
A vida cristã, geralmente, tem suas fases (descoberta, paixão, realismo, acomodação e obrigação), que muitas vezes, nos levam à pensar na fé evangélica como rotina, mesmice, ou algo trivial. Todavia, precisamos buscar, em todo o tempo, a plena satisfação em Cristo. Deus é glorificado quando buscamos viver de acordo com os seus propósitos eternos. Isso inclui viver para sua glória, alegrar-se Nele e amá-lo.
Não quero parecer legalista negando todo o tipo de prazer. Minha proposta não é oferecer uma vida isolada do mundo ou o ostracismo religioso, afinal, nosso Deus é divertido (tem senso de humor) e a vida que ele nos oferece não poderia ser diferente. Mas é fato inquestionável que vivemos numa geração hedonista, da busca pelo prazer pessoal a qualquer custo. É a geração que relativiza os valores, ignora o bom senso e tudo pela busca da satisfação pessoal. Tudo, obrigatoriamente, precisa dar prazer. Já não compramos mais por necessidade, mas por prazer. O prazer tornou-se o grande pilar da sociedade de consumo. Está nos outdoors e propagandas midiáticas. Associa-se quase tudo ao prazer: lazer, comida, drogas, promiscuidade e relacionamentos de curto prazo. Coisas boas e ruins.
E Deus - está associado mais ao prazer ou à visão dos deveres repressivos e regras morais? Nosso Senhor, por muitos, é visto como amuleto para suprir interesses sincréticos ou como divindade pessoal e relacional? E ainda, devemos questionar se o nosso relacionamento com Deus é motivado por satisfação desinteressada e paixão voluntária, ou porque não temos outra opção – o que não é mentira. A grande verdade é que, por mais que pensemos o contrário,“Deus nos tem em suas mãos, mas nós, nunca o temos nas nossas.” J. I. Packer
Para ilustrar a busca popular obstinada pelo prazer, discirnamos as propagandas para venda de álcool, por exemplo, sobretudo cerveja, geralmente, não estão acompanhadas das notícias de matança, acidentes de trânsito, doenças, brigas e desgraças relacionadas ao seu uso abusivo. As associações marqueteiras geralmente relacionam o álcool com alegria, festa e aceitação social. Os jovens são as principais vítimas desse tempo, pois estão freneticamente à procura de experiências que proporcionem alguma satisfação. Sem fugir do assunto, mas para não perder a oportunidade de polemizar: Penso que desassociar a propaganda do álcool deverá ajudar a população mais jovem, além de desafogar o SUS. E é claro, reduzir o número de diligências e acidentes de trânsito relacionados ao uso do álcool. Será o fim dos jornaizinhos policiais e diminuição de gastos públicos exorbitantes. Esse prazer das propagandas, na verdade, é engodo utópico para as massas.
Somos a geração das novidades que suprem prazeres momentâneos. Tudo isso é transferido para a fé. Por isso corremos o risco de buscar a Deus por necessidade hedonista, não por prazer voluntário. Deus torna-se o meio, não o fim. O caminho para a felicidade, não a felicidade em si. Buscamo-lo quando precisamos de alguma satisfação, quando tudo mais, não pôde preencher os abismos da alma humana. Deus fica em último plano, como adendo às nossas necessidades pessoais. Procuramo-lo como quem vai ao supermercado com interesse nalgum produto. Mas não é isso que este salmo nos ensina.
De que forma o salmista faria declarações tão profundas se seu amor maior não fosse o próprio Deus? “amáveis; minha alma suspira; meu coração e carne exultam; encontrei teus altares". É dessa satisfação em Jesus Cristo que precisamos. Como afirmou Leonard Ravenhill: “Cristo será tudo que você precisa, quando ele for tudo o que você tem”.
Lembro-me do cântico antigo e que cantava quando criança "Satisfação":

"Satisfação é ter a cristo, não há melhor prazer já visto;
Sou de Jesus e agora eu digo, satisfação sem fim.

Satisfação é nova vida, eu com Jesus em alegria;
Sempre cantando a melodia, satisfação sem fim

Sim paz real, sim gozo na aflição;
Achei o segredo: É Cristo no coração.


Satisfação é não ter medo, pois meu Jesus virá bem cedo;
Logo em glória eu hei de vê-lo;                                                     
Satisfação sem fim".

Satisfação em Deus é o que preciso, todo o tempo.

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