20 de junho de 2013

Revolta dos 20 centavos. Bariri, 20 de Junho de 2013

“A justiça engrandece a nação, mas o pecado é uma vergonha para qualquer povo”. Provérbios 14:34

Irei para a rua. Fique tranqüilo! Não será para lançar bombas, pedras ou paus. Tampouco para depredar o patrimônio público, atear fogo em carros ou enfrentar as autoridades policiais. Isso é assunto para vândalos, oportunistas em manifestações ou extremistas partidários. Minhas motivações são outras. Estão alinhadas com a pauta nacional neste momento histórico: educação de qualidade, saúde, segurança, combate a corrupção, investimento em transporte de qualidade; reformas tributária, política e judiciária. Como cidadão, tenho o dever de fazer coro com a nação sedenta por justiça. As “pedras” estão clamando, porque a “luz” não saiu debaixo da mesa e o “sal” permaneceu dentro do saleiro.
Cansei de protestar apenas do púlpito. Quero manifestar minhas aspirações nas redes sociais, nas ruas ou em qualquer coisa que funcione como um megafone para os ouvidos surdos dos governantes. Enfadei-me – e muitos de nós - por berrar sozinho, por isso, faço coro com a multidão que clama por justiça social. É lamentável ver muitos cristãos apáticos, expectadores indiferentes e muitos críticos daqueles que saem às ruas para protestar, como se isso não fosse parte do comportamento cristão. Lembremo-nos de Jerônimo Savonarola, Lutero (desencadeadores da reforma protestante no Séc XVI, dentre outros), além de John Knox, na Escócia. Rememoremos as conquistas feéricas do pastor revolucionário Martin Luther King, Jr pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Voltemos os nossos olhos para a história e percebamos que a igreja de Cristo realizou coisas mais relevantes que uma marcha para Jesus ou um showzinho gospel.
Eu protesto! Não pode ser apenas pelo passe livre, embora seja importante. Há questões prioritárias para pautar: EDUCAÇÃO, saúde, gastos com entretenimento (Copa) em detrimento das necessidades elementares nas políticas públicas. Também bradarei contra os gastos públicos abusivos (118 milhões) com a vinda do Papa ao Brasil – Uma Pausa:   E o laicismo do Estado? Já não bastam nossos índios, terras e o ouro suprimidos no Brasil colônia e agora querem levar o nosso real? - Retomando. Sobretudo, além de vários outros motivos, protestarei por uma igreja mais participativa, arrependida, testemunha do caráter de Cristo na terra. Clamarei contra a venda das indulgências neopentecostais do evangelicalismo moderno, o péssimo testemunho de muitos pastores e líderes na sociedade. Protestarei contra o jeitinho brasileiro e a mania de ganhar vantagem em tudo. Bradarei por ordem e progresso, dentro e fora da igreja.
Jesus não precisa de pés marchando por nada, mas admira joelhos dobrados por justiça. Ele asseverou que os que têm fome e sede de justiça são felizes, portanto, serão fartos (Mt 5:6).  Onde estão os pastores com sua notoriedade pública, homens e mulheres vociferando os valores do Evangelho de Jesus? Onde estão os profetas revolucionários do nosso tempo, tal como foram Jeremias, Oséias e João Batista gritando pelo arrependimento da nação? Como igreja, somos mais parecidos com Jonas, voltando-nos para Tarsis (zona de conforto) contrariando a ordem divina de ir para Nínive (linha de frente).
Hei você, cristão! Que se diz protestante, mas não protesta nada. O primeiro protesto deve ser contra si mesmo, como disse o pastor revolucionário Dietrich Bonhoeffer: "Protestantismo não é o protesto da igreja contra o mundo, mas o protesto de Deus contra nós mesmos: 'tenho, porém, contra ti'". Avalie sua conduta como cidadão do Reino. Seu testemunho diante das pessoas. Seja sal fora do saleiro e luz que irradia. Sua conduta no ambiente secular grita mais alto que muitas palavras.  Enfim...
É o início da “primavera brasileira”. Não é privilégio dos países árabes, tampouco das ditaduras, já destronadas na primavera árabe. Ai dos mandatários, partidos e governos que desdenham do potencial efervescente das mobilizações de base. Vivemos um novo Brasil, com novas portas que se abrem e outras que ora se fecham. E a igreja, o que dirá? Qual resposta virá da agência do Reino, representante dos valores supraculturais do Evangelho e embaixadora dos valores éticos cristãos? Qual a relevância dos cristãos, a mobilização e a postura ante a corrupção e as truculentas ações repressivas dos governos? Sua voz será interrompida pelo moralismo da opinião alheia ou ecoará um brado santo que clama por justiça? #vempraruabariri

Thiago Gigo Pereira

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