13 de março de 2013

Gratidão



“Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios”. Salmo 103:2

Gratidão é atitude eivada de espiritualidade. Com ela encontramos um lugar no coração do próximo e oferecemos reconhecimento àquele que nos faz bem. A Psicologia moderna nos ensina que pessoas gratas são mais saudáveis emocionalmente; são mais felizes e realizadas. Mas há um problema a ser observado: gratidão não está na moda.

É muito comum encontrarmos pessoas frustradas porque não foram tratadas da maneira esperada, ou amarguradas por não receberem o reconhecimento à altura do bem realizado. Numa sociedade capitalista, onde os valores do mercantilismo, consumismo, egocentrismo, materialismo e hedonismo estão elevados a patamares jamais imaginados, os relacionamentos são “coisificados” e o interesse pelo próximo diminui a cada dia. Acabamos transferindo esses malefícios para o nosso relacionamento com Deus e nossa oração se torna consumista, egocêntrica e ingrata, muitas vezes. Pedimos muito e agradecemos pouco. Somos mais rápidos para receber do que oferecer; preferimos ser beneficiado a beneficiar. Não é estranho que muitos falem com Deus como se estivessem num balcão à espera que o garçom divinal cumpra sua “obrigação” de abençoar os consumidores da fé ansiosos pelos produtos espirituais. Falta reciprocidade no relacionamento com o Pai. Falta gratidão. Como asseverou o biblista William Hendriksen: “A oração sem agradecimento é como um pássaro sem asas”. Gratidão está escassa, inclusive em nossas orações.


Podemos fazer três afirmações prévias sobre esse tema tão virtuoso:


Gratidão é um sentimento de dívida impagável. Há uma dívida emotiva em relação àquele que nos faz bem. Gratidão significa esse desejo de saldá-la através de palavras, atitudes, presentes e expressões. Tínhamos uma dívida impagável com Deus por causa do pecado e Jesus Cristo pagou por nós, na cruz. Devemos agradecer por todas as atitudes do amor de Deus. Agradeceremos sempre, mas nunca preencheremos a lacuna que deixamos com o pecado. Gratidão, portanto, é uma dívida.

Gratidão é uma atitude altruísta.  É o ingresso de entrada para consciência do outro. Através dela abrimos caminho para relacionamentos mais profundos. Quem diz “obrigado”, constrói pontes. Atitudes de agradecimento são uma vacina contra o vírus do egocentrismo. Através dessa conduta admirável suplantamos os espinhos da amargura que ferem as emoções. É o remédio para o egocentrismo. Gratidão, enfim, não deixa de ser uma ponte.

Gratidão é necessária. O Salmista diz à sua consciência: “bendize (... ) e não te esqueças”. São os imperativos da fé para aquele que conversa com a própria alma. No colóquio com Deus a gratidão é um dever majoritário. Na conversa com o Pai, a gratidão vem em primeiro lugar.  “O cristão está indeciso entre bênçãos recebidas e bênçãos esperadas; portanto, ele deve sempre dar graças”. M. R. Vincent. Logo, gratidão é imprescindível.


Portanto, agradeçamos. Demos graças por tudo, como ordena o texto sagrado, porque esta é a vontade de Deus. Agradeçamos pelas dificuldades que nos trazem maturidade e pelas bênçãos que representam o cuidado do Pai. Agradeçamos Àquele que não falha e que cumpre cada uma de suas promessas. Àquele que nos farta de benefícios incontáveis, visíveis e invisíveis, seja a honra, o louvor, a glória e o reconhecimento de um coração grato. Desejemos saldar essa dívida, construamos essa ponte indispensável em nossos relacionamentos com o Pai e o próximo. Deste modo, atenderemos a seguinte ordenança:


“Em tudo dai graças; porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”. 1 Tess. 5:18

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