1 de janeiro de 2011

De onde viemos, onde estamos e para onde vamos?

De onde Viemos?
Quando lemos a Bíblia ou estudamos História da Igreja, torna-se nítido que desde os longínquos princípios da história da humanidade, Deus vem concertando aquilo que o homem estragou. Foi assim nos tempos de Adão e Eva, de Noé e sua família, da caminhada do povo israelita pelo deserto sob a tutela de Moisés, dos profetas no período do Exílio e também nos tempos da perseguida Igreja do século I.
No IV século da nossa era, com a institucionalização da Igreja-Estado consolidada por Constantino, houve um desvio de conduta ético-moral, bíblico-teológica e espiritual da Igreja, fazendo com que a mesma passasse de perseguida para perseguidora daqueles que não se rendiam à pregação e aos ritos do Catolicismo Romano. Anos de escuridão se passaram até que no dia 31 de Outubro de 1517 Martinho Lutero, inconformado com o abuso das vendas de indulgências pela Igreja, afixou 95 teses na porta do castelo-igreja de Wittenberg questionando os abusos e os sufragários universais. Sob os pilares da Justificação pela Fé, da Salvação pela Graça e da Soberania de Deus: o cisma com o romanismo acontece! A partir daí, sem falar nos pré-reformadores, Deus levanta homens como Ulríco Zuínglio, Guilherme Farel, João Calvino, Jhon Nox e tantos outros que desencadearam o pensamento reformado para colocar a Igreja no centro da Vontade de Deus. Vejamos que nossa história está recheada de fatos onde Deus usa pessoas para colocar sua a Igreja nos trilhos da Sua vontade soberana.

Onde estamos?
Vivemos num tempo denominado pela maioria de Pós-modernidade. Onde as características mundanas do egocentrismo, pragmatismo e misticismo têm penetrado em nossas comunidades através dos movimentos do nosso tempo. Jean Baudrillard denominou nossa época de a “sociedade do espetáculo”. Julio Zabatiero, disse: “Os novos gostos litúrgicos, nas igrejas históricas traem a sedução da imaginação. A imagem apaixona, o espetáculo seduz mentes, corações e corpos, e imperceptivelmente a igreja se transforma em um imenso teatro coletivo.” O culto transforma-se em arrebatadora performance das coisas que se deveriam esperar. No espaço litúrgico se santificam as necessidades humanas de auto-realização, satisfação, consumo e conquistas do ser. Em meio a isso, os pastores da Igreja de Deus recebem o papel de catalisadores das expectativas dos atentos espectadores, pastores performáticos. Fala-se cada vez menos em vocação ministerial e cada vez mais em perfil pastoral, fala-se cada vez menos em salvação e cada vez mais em satisfação. Estamos vivendo num tempo de desafio. Precisamos repensar nossa vocação ministerial e eclesiástica para responder a nossa próxima pergunta:

Para onde vamos?
Acredito que para estarmos no centro da vontade de Deus precisamos refletir sobre o passado, questionar os modelos existentes no presente para nos preparar para o futuro. Se a igreja moderna já é obcecada por movimentos extraordinários completamente desconexos com a Palavra de Deus, tais como: unção do riso, unção do Leão, da Lagartixa, do suor do Bispo Valdomiro e outros animais ... o quê será da igreja do amanhã? Como será a caricatura da igreja idealizada por movimentos pós-modernos e que será para nossos filhos? Como será, de onde virá e quem será usado para concertar os erros cometidos pela igreja brasileira hodierna?

Ouvi uma frase na televisão que me chamou a atenção: “É melhor se sujar andando, do que morrer sentado.” Isto não significa que se sujar andando seja agir ou pensar moral e eticamente errado, mas correr riscos, suplantar as barreiras, desviar-se dos obstáculos e vencer desafios. Não podemos é ficar parados, esperando que tudo “caia do céu”. É necessário dizer: “Eis-me aqui, envia-me Senhor”!
Creio piamente, que O Senhor da Igreja quer levantar homens e mulheres como instrumentos proclamadores de um Evangelho sem barganha, de uma mensagem sem interesses e genuinamente bíblica. Aprendi que não podemos nos conformar com a mercantilização do Sagrado, com a indiferença e banalização da pregação missionária, com a negociação de princípios bíblicos e a supersatisfação das expectativas humanas em detrimento da negação do “Eu”, da proclamação da mensagem da Cruz e da Soberania de Deus.
Deveríamos fazer essas três perguntas como Igreja de Cristo, como igreja local e como indivíduos: De onde viemos? Onde estamos? Para onde vamos? Só assim, poderemos discernir sobre os erros e acertos da história, sobre os desafios do presente e os objetivos da futuridade. Afinal, não podemos ignorar as realidades passadas, presente ou futuras (apesar de o futuro pertencer ao Senhor), tornando as perguntas acima irrespondíveis.

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