9 de março de 2009

Sobre a forma do culto presbiteriano e outras picuinhas

Existem coisas que são importantes (tal como é o culto em sua forma); e há aquelas que são fundamentais (como o conteúdo do culto). O problema se revela quando damos mais relevância àquele do que a esse. Não podemos ser pragmáticos no culto a Deus, mas o outro extremo também é perigoso. Não podemos deixar de ser práticos, mas nem por essa necessidade daremos "pão e circo" ao povo. Todavia, percebo que nós, presbiterianos, somos muito teóricos e filosóficos... para o não crente e num mundo pós-moderno onde o sentimento, a praticidade, a velocidade e a imagem em movimento estão latentes, somos arcaicos e pregamos uma mensagem, muitas vezes, descontextualizada. Enfim, o não-crente não quer nos ouvir porque falamos seu idioma, mas não comunicamos sua linguagem.
Não precisamos e não podemos banalizar a comunicação do Evangelho. Nem negociar os princípios reformados que dizemos crer. Também não temos o direito de supervalorizar a cultura e desprezar rudimentos que balizam nossa fé. Não podemos correr o risco de secularizar a igreja sob o pretexto de torná-la relevante para o mundo. É preciso buscar o equilíbrio.
Sou um jovem pastor. Já pensei e tive certeza de que errei. Mas no momento, estou convicto de que uma liturgia européia enlatada (em meu contexto) servirá apenas para a manutenção dos “gatos pingados” que permaneceram na igreja ante as ofertas do "supermercado" religioso. Vivemos dias de aproveitadores, mercenários que pregam na TV e oferecem um "evangelho" que nada tem haver com o pregado por Jesus, mas cataliza a atenção e expectativas das pessoas. O outro extremo é que nós presbiterianos também somos pós-modernistas no que fazemos. Queremos tudo pronto, talvez até a forma e o conteúdo do culto reformado extrangeiro (sem xenofobias, compreenda-me.). Infelizmente nos acostumamos com o domínio dos déspotas, com a imposição da hegemonias que tanto fizeram do país das maravilhas, um Brasil onde “ta tudo dominado” e de onde se extrai não apenas a riqueza, a ordem e o progresso, mas também a criatividade e o bom-senso. Acabamos por gostar da imposição e nos submetemos à hipotética “forma correta” de se cultuar um Deus que é multicultural. Por exemplo, importamos rítmos musicais americanos e europeus e demonizamos (já vi muita gente fazê-lo) o baião, o xote, a bossa-nova e a musicalidade genuinamente brasileira. Importamos a ordem do culto, o calendário e até as roupas litúrgicas de culturas que nada têm haver com a nossa. Não podemos desprezar a nossa herança, nossa história, mas o engessamento das formas de culto em detrimento da priorização de uma endocultura regional e brasileira levará ao contínuo culto à hipocrisia, à falta de espontaneidade e criatividade.
É preciso tomar cuidado com os extremos.
O que tenho visto me assusta. Há igrejas que cometem as maiores ignôrâncias na liturgia do culto e "vendem a alma ao diabo" afim de atrair novos adeptos e não decepcionar os gostos litúrgicos dos fiéis. Sob o argumento dos “achômetros”, pastores(as) quase que detentores de uma verdade absoluta adquirida exclusivamente, passaram a utilizar-se de subterfúgios para atrair novas pessoas. Parece que todos correm atrás dos consumidores em potencial de que o mundo não-cristão dispõe. Para isso, apresenta-se a vitrine da fé, tão sufragada pelos pentecostais: Culto de libertação e prosperidade; até o “desencapetamento total” e outras aberrações com intuito de caçar as expectativas psico-emocionais das pessoas.
Mas essa é uma outra história, uma outra batalha travada, provavelmente, entre a mediocridade e o charlatanismo.
Voltemos ao Evangelho. Ao invés de continuar a rinha em busca do troféu da verdade exclusivamente revelada, deveríamos buscar equilíbrio. Voltarmos ao Evangelho essencial, desprendido da política eclesiástica, descontaminado das enfermidades espirituais que definham a fé e totalmente bíblico. Assim conseguiríamos conquistar com mais facilidade o coração do povo, que morre como co-vitimas de uma guerra que não derrama sangue, mas destrói os soldados que não combatem o bom combate, todavia lutam a batalha errada. Cristão contra cristão! Todos, sem dúvidas, revindicando a forma correta de se cultuar a Deus.
Soli Deo Gloria!